12.27.2004

Parafraseando a tristeza


Um carro. Cinco assentos. Um ocupado.

Céu escuro. Noite azul e tão seca quanto a garganta. As luzes dos postes marcam a vista, traçando uma linha contínua que guia o caminho sobre as águas. Os segundos vão ficando para trás, empurrados pelos pneus. O asfalto parece combinar com os pensamentos.

O nada de sempre. Vazio que não se preenche. "A esperança de uma arma apontada para a sua cabeça".

12.24.2004

Novo

Como não escrever sobre esse ano que termina, se ele está terminando?

Alguns poucos pontos minados passaram debaixo dos meus pés, mas eles deixaram estilhaços tão pesados que espero conseguir dissolvê-los no sol do verão que está para chegar. O vazio de um copo d'água sem água - a sede torna-se quase insuportável. Uma parte com sede incessante, a outra tentando saciá-la com pedaços de ar. Fins de semana, conversas internas, músicas, livros e filmes. Ares cheirosos e frescos, mas nunca água.

Como um interminável barulho de buzina, no meio do trânsito. Asfalto quente, respiração ofegante, suor sobre os olhos. As imagens bonitas distorcidas à monstruosidade pelo calor desumano que frita nossas mentes. As palavras que você escuta separadas do seu contexto. Tudo um grande ruído. E ponto.

Ano que vem existe para isso. Pensar que pode chegar a algum lugar. Um copo d' água, ar fresco e respiração. Alívio. Ou morte certa.

12.05.2004

Sweet (sweet...) dreams are made of this

-Será?

Era quase nada. Pôs na boca e achou que poderia continuar como antes. A música era estranha, o ambiente amigável - escuro e estranhamente familiar. Espaços amplos e vazios. Relaxou.

-E aí? Já?

Nada. Parecia que estava cada vez mais desenvolto dentro dos seus próprios limites físicos do corpo. Apenas isso. Conseguia sentar-se e tomar uma cerveja tão levemente quanto conseguia ficar de pé e fumar um cigarro.

Andou de um quarto ao outro, procurando algo que o prendesse. As luzes eram de cores diferentes, e a casa se transformava em um enorme mosaico de quartos coloridos: verdes, azuis, roxos, amarelos. Não havia móveis, e as bexigas flutuavam no ar de maneira incadescentemente frágil. Banheiro, quarto, quadrado, quarto, retângulo, escada, verde, azul, flurescente, roxo, preto.

Bum. Percebeu a música. Começou a rir. A realidade pode ser realmente divertida quando nos encontramos distanciados dela. Distaciados e, ao mesmo tempo, completamente imersos. Mergulhados.

O ar o puxava de um ambiente ao outro, os gritos eram euforicamente felizes. Felicidade. Artigo tão escasso que deve ser degustado com todas as células de todas papilas gustativas. Pegou um pedaço de gelo e passou pelo seu rosto. O gelo podia derreter em poucos minutos, em contato com a sua pele. O rosto, o braço, o pescoço. O gelo. Isso sim era sentir o que há de concreto na realidade.

Quando achou que ia parar, deram-lhe mais gelo, a música voltou e o sol começava a nascer. Ainda duraria algumas horas. O sol esquenta e o gelo derrete. Vida simples, cíclica e muito satisfatória.

11.21.2004

E aí, melhorou?

11.20.2004

Blog de cara nova. Alguém notou?

11.19.2004

Ar preso


Abriu a porta e viu que estava preso dentro das suas próprias impressões. Havia há pouco conhecido uma menina que lhe havia absorvido por completo. Ela escrevia palavras perfeitamente encadeadas e falava como quem suspira por alguma constatação muito importante e secreta que acabou de fazer. Ela se concentrava nela e parecia se movimentar através de pequenas explosões ao redor de si mesma. Tinha a leveza na mesma proporção da tristeza, que lhe davam o ar único.

Viu-se no quarto. Televisão, porta, janela e ventilador. Ligou o som, pôs alguma música para poder não-pensar. Mas, será que existe? Resolveu contentar-se com migalhas. Restos de poesia que ela deixava pelos caminhos, a cada passo que imprimia no chão de madeira. Poderia guardar as poeiras que lhe caíam, mas nunca deixar-se perceber. Conseguia tranformar-se em cadeira para não ser notado. Aos poucos, definhava na sua própria consciência. Gostaria de explodir, mas seus pedaços desmoronavam para dentro do seu estômago.

Deitou-se na cama. Olhou para o céu, que aparecia por entre os intervalos da perciana que cobria a janela, meio danificada com os anos. Prendeu a respiração e contou até 60. Um minuto! E ainda podia respirar. Teria que voltar no dia seguinte, e isto não estava nos seus planos. Confrontar-se com algo que, supunha, nunca conseguiria concretizar era angustiante. Tristeza inchada como uma bola de neve. Nem o sol que fazia do lado de fora conseguiria derreter. Preso dentro das suas reduzidas possibilidades, achou que sim. O encanto pode ser tanto um vício como uma asfixia. Preferiu escolher. Abriu a janela e sentiu o ar passar de leve pelo seu nariz. Talvez, quem sabe, agora conseguisse.

11.15.2004

Hospital

Alinhando pensamentos inconclusos
Perfuro a imagem
Mato a sede com os anseios frustrados
Lado a lado
Enfileirados
Calo e acendo o cigarro
Fumo apagado e contento-me
Com a pouca mensagem que me lêem
-se me lêem-
Comprimo as angústias em algumas poucas
palavras apressadas
Retorno ao meu limite
Retirando traço a traço
os espaços apertados
desenho o fim com ingenuidade
e euforia de uma criança que nasce
e morre após a primeira baforada
do ar gelado
condicionado
do hospital

Exercício de sobrevivência

O que é importante agora?, ele se perguntou. Talvez não viver fosse bastante importante. Mas já havia passado dessa fase. A adolescência pode vir e ir de uma maneira estranhamente rápida. Nunca conseguiu entender lamentos vazios, palavras escuras saídas de mentes extremamente brilhantes. Pensava que escuridão tinha que ser honesta, muito mais do que exercício de estilo. Sentia-se um pouco perdido no meio de tantas referências que se esvaziavam conforme consolidava seu próprio buraco. Cada vez mais fundo. Suas convicções não possuíam parâmetro, infelizmente. Será que é possível?

Foda-se a irritação!, pensou. Havia perdido alguns anos e cigarros levando seriamente em consideração suas vontades que, no entanto, se submetiam aos seus medos mais repugnantemente humanos. Reconhecer-se igual é uma atitude muito desconcertante. Qual seria a finalidade de gritar, se podia agüentar a dor calado. Resolveu se concentrar. Degustar a sensação de estar completamente sozinho poderia ser uma atividade interessante, tentaria dar mais atenção a isso. Convites, interjeições e pequenos diálogos não o enganariam dessa vez. Viver poderia ser suportável, se passasse a observar sua existência definhando a cada minuto que passava. Resignou-se e explodiu alegremente e mais satisfeito do que nunca.


9.17.2004

Virtus Dormitiva



Sexta-feira, à noite, em casa, curtindo uma leve doença... pelo menos, dessa vez, não é amidalite.

Vários programas para fazer sem sair da minha cama (escrever no blog já está sendo algum esforço): ler, ouvir música, ver filmes. Escrever também dá. Mas o mais legal é pensar - dessa vez até está sendo tranqüilo. Ah, e dormir, obviamente. Por sinal, o que eu fiz na maior parte do dia, por conta de um remédio muito bom.

O que será que as pessoas estão fazendo agora?

- - - - - - -

Um pensamento ótimo:

"Os fisiólogos deveriam refletir, antes de estabelecer o impulso de autoconservação como impulso cardinal de um ser orgânico." (Nietzsche, em Além do Bem e do Mal).

Eu sempre pensei isso. Já perguntaram a todos os fumantes se eles realmente querem ter uma vida longa? Vontades não são tão óbvias assim.



9.13.2004

Top 2 - blogs

Firula, você pode ser chato (e fashion, tá bom...). Mas eu gosto muito de ler o seu blog.
Sempre junto com o da Carol (que, contudo, não é chata, mas também tem um ótimo blog).

(Ahhh péla-saco!!)

p.s.: por causa de vocês dois eu ainda escrevo, parcamente, neste blog.


(...) até que se chegue.



Falta tanto...
Perimetral. Voltando a alguns anos atrás, enquanto eu ia pra Botafogo. A chuva, num domingo em que você não sente a angústia de não-viver, é sempre muito boa pra achar que você pode estar tão bem quanto esteve há alguns anos atrás. Anos atrás, indo pra algum lugar.
As coisas poderiam ser tão melhores quanto eu tão menos observador. Conforme os dias passam, os meses e assim por diante, a rua fica cada vez mais rua, o carro cada vez mais carro, e as coisas cada vez mais as coisas. As pessoas talvez também. Voltam para a existência real delas. Sem metafísica e sem expectativa. Os livros talvez ainda guardem algo mais. E alguns cds - até os cds e os vinis e as músicas...
Quando as cores eram mais saturadas, a vida era mais interessante. E o preto e branco contrastado um charme quase inexplicável. Ano passado certamente foi bem melhor do que esse ano. A vida tende a um declive que parece interminável. Como as pessoas conseguem viver até os 60? Resistência sem limites talvez não seja o meu talento. - e o talento ainda era algo que realmente existia -...
Pois então, nesses momentos, é importante ater-se àquilo que se sente vontade. As poucas coisas que merecem esse posto ainda podem ser interessantes. Provincianamente e ignoravelmente interessantes, mas ainda assim ocupam parte do seu dia. E assim se vai.
O passado sempre é um bom lugar ao qual recorrer. E, nos dias de chuva, domingo, em que não se ocupa a mente com quase nada, ele vem certamente. Pelo menos para quem o resto não oferece muita coisa.

Mente vazia: mente sã.

Renovar é um processo que, infelizmente, descarta todo o resto do mundo.

8.31.2004

Por favor, uma pausa para o café.
Voltemos a ser normais.
Chega de fingir tantas coisas que se esquece o que se realmente é.
Porra.
Inteligência é, cada vez mais, um conceito relativo.

Novamente, aqui. Pousei mais uma vez neste blog.

A conclusão das últimas semanas: a vida, infelizmente, se tudo é feito "como deve ser feito", talvez não valha tanto a pena. Se "viver bem" é trabalhar no que você gosta, mas trabalhar tanto que isto se torna a sua vida, definitivamente não vejo muitos atrativos. Mas, ao mesmo tempo, quem tem coragem de chutar o balde e mandar tudo à merda?! Por enquanto, eu não tenho...

Preciso de tempo para pensar... pensar em nada, pensar em porra nenhuma, olhar pro teto e andar na praia... respirar com calma!! Merda!!!!!!

A seriedade e a responsabilidade são conceitos feitos par tornar as pessoas previsíveis e controláveis. Presas dentro de uma rotina fudida. E, quando felicidade para mim passar a se resumir a um aumento de salário, podem me enterrar, porque eu já vou estar morto...

...

8.09.2004

Quantos leitores?
Então...

você percebe que apodreceu.
E que se perdeu no meio de tantas bifurcações.
Foda-se o que pensava, agora parece que o empurra o nojo que pode ter
de si mesmo.

E todo mundo
pensa esperar assim
por um dia chegar
a viver feliz.

Felicidade é droga
que nunca atinge a overdose.

Amo a vida
e a morte mais ainda.


7.25.2004

Sim.

 
Escrever pode ser muito bom. E a consciência de que você escreve para pessoas hipotéticas lerem é incrivelmente mais prazeroso.

Acho que vou voltar a freqüentar esse espaço. Para ver se as idéias voltam a se ordenar, depois de algum tempo caoticamente desfiguradas.

 
Come back

Pois é... quero ver quantas pessoas vão ler este post. Duvido que mais do que um curioso saudosista que, de repente, teve a idéia de rever blogs dos amigos, que costumavam escrever sempre. Ler coisas antigas, para relembrar fatos passados.

Fazia tanto tempo que eu não escrevia aqui que eu não me lembrava o meu username, o meu password e nem tinha visto esse layout totalmente diferente que esse negócio tem agora. Muito bom, as coisas mudam, até layouts de internet.

Ontem eu me encontrei com várias pessoas com as quais eu não passava mais do que alguns minutos, há muito tempo. E ontem passei uma festa inteira com elas. Eu me lembrei, de uma maneira muito forte, de detalhes e sensações que eu tive e vivi há mais de dois anos atrás. Dois anos que comportam muito mais. Dois anos que passaram voando, e que parecem ter provocado mudanças de uns dez anos. Mudanças que transformaram as pessoas. Mudanças algumas ótimas, outras que, analisando melhor, podem parecer pouco recompensadoras. Parece que, certo dia, éramos e, no outro, não mais. Incrível. Que, a partir de certo momento, não tem mais ineditismo, não tem mais manhãs fodas, dias de sol na praia, fumar um cigarro com os seus amigos, passar horas olhando o pôr-do-sol, ficar em casa lendo um livro, pensar no que você provavelmente pode estar precisando. Pensar no que te satisfaz de verdade, de repente, é um luxo grandioso, do qual você raramente pode desfrutar. E que, talvez, você esteja começando a ser quem você repudiava, há dois anos atrás, em todas as escolhas.

A vida pode ser bem melhor do que essa pouca merda. Perceber que está uma merda é o primeiro passo. E perceber que "eu mesmo" não é uma abstração é outro. Estamos no caminho...

4.14.2004

Uma outra resolução: não ir ao trabalho amanhã. Preciso disso.
(ir)resoluções

Algumas coisas me fazem realmente mal. A falta de tempo me impulsiona pra uma crise ainda maior de auto-estima, que já é quase inexistente. Onde estão os interesses, que um dia já foram tantos que me sufocavam?

Talvez esteja ficando um pouco mais burro.

Ser engraçado, por vezes - muitas vezes -, me incomoda profundamente. Quase sempre não pretendo ser engraçado, mas armaduras existem pra você não se expor. Mas, no final, a exposição talvez seja ainda mais dolorosa. Palhaço, na minha opinião, sempre foi das funções mais humilhantes.

Preciso de espaços livres pra pensar, mas eles têm sido cada vez mais escassos. Parar tudo, neste momento, paradoxalmente, vai me tirar da estagnação. Essa estagnação não diz respeito a nada concreto, mas alguma coisa que morreu por ações imperceptíveis ao longo do tempo. Ações pelas quais eu me deixei levar. Ironicamente, um dos meus grandes problemas - que eu detecto - é pensar demais. Só que pensamentos espasmáticos conduzem a crises gigantescas. Retidos eles provocam, às vezes, danos insuperáveis. Mas então, tem saída? Provavelmente não.

4.02.2004

Desconexo.
Completamente.

Mas quem não é?
Poizentaum...

resolvi escrever de novo aqui. Depois de muito tempo...

A vida tá assim, meio mais ou menos - sempre volta a esse estágio (estágio? não, nunca...). As pessoas tão meio (meio? pfff...) longe daqui - geograficamente e, em certos casos, psicologicamente também. Claro, não por minha vontade. Mas, vida é assim mesmo. Quase sempre uma merda. De vez em quando a gente acha que não.

Pra algumas pessoas, eu tenho o que falar. Pra outras, nem tanto. Não precisa. Gosto de (quase) todo mundo mesmo assim. E, às vezes, tenho saudades. Mas, quem não tem? Nem todo mundo é sempre a mesma coisa.

E, de vez em quando eu escrevo. E, de vez em quando, eu acho alguma coisa que eu escrevi há muito tempo. Um pensamento que não foi tão esquecido assim. E, não é que cabe? Sempre...

Poizentaum...


*Pour*

Falta sono
Falta nome
Não tenho pensamentos
não tenho sentimentos
quando você some
Com seus impulsos constantes
Com sua ausência estranha
Faltam cores que te transbordam
Falham sons que não me chamam
voz de não
prendo-me no chão
Você
impecavelmente
pinta paisagem pra cego
e me consome.

2.16.2004

Essa música é ótima, e condiz muito com os [meus] últimos dias...


"I'll fake it through the day
With some help from Johnny Walker Red
Send the poison rain down the drain
To put bad thoughts in my head
Two tickets torn in half
And a lot of nothin' to do
Do you miss me, Miss Misery
Like you say you do?

A man in the park
Read the lines in my hand
Told me I'm strong
Hardly ever wrong I said
"Man you mean--"

You had plans for both of us
That involved a trip out of town
To a place I've seen in a magazine
That you'd left lyin' around

I don't have you with me
But I keep a good attitude
Do you miss me, Miss Misery
Like you say you do?

I know you'd rather see me gone
Than to see me the way that I am
But I am in your life any way

Next door the T.V.'s flashing
Blue frames on the wall
It's a comedy of errors you see
It's about taking a fall

To vanish into oblivion
It's easy to do
And I tried to leave but you know me
I come back when you want me to.

Do you miss me, Miss Misery
Like you say you do?"

(Miss Misery - Elliot Smith)

De volta ao blog...


Alguém se coloca em pose. Veste-se de si mesmo, um pouco alterado. Dá voltas ao redor de si e, de repente, cai espatifado.

Alguém não consegue. Mergulha fundo no mundo, mas o mundo não é do seu tamanho. Reproduzir parece enfadonho. Não tem os olhos vendados.

Por tristeza, entende-se certeza. Certo que a sentença da verdade é morrer de liberdade. O ar falta.

Introjetadamente. Vê-se fora da corrente.

2.09.2004

SEQÜESTRO FAMILIAR
E do nada... perdi uma chance de falar


Rua. Meia-noite e meia. Uma garota. Um senhor. Muitos gritos.

"Dinheiro não compra as pessoas!"

Pai. Filha.

"Eu desisti. Não vou com você, porra!"

Pai. Tapas. Filha.

"Você tá drogada?"

Filha.

"Você é um merda. Tá sem maconha. Fica alterado."

Pai. Pessoas. Filha.

"Vou te levar à força, filha da puta."

Mãe. Submissa. Filha.

"Mimada!"

Filha. Pai.

Chuva.

Eu. Minha cabeça. Entendimento perfeito.

"Sai de casa!"


Família. Instituição falida.


2.07.2004

Ao todo  


Percebeu que não vivia
Perdia o tempo com palavras gastas
E gestos fracos
O tempo perdia-se
No seu tempo esvaziado
Trouxe pra perto
Tudo experimentado
Trouxe tudo estragado
Consumiu até o último cigarro
Apodreceu o seu pulmão despedaçado
Retornou salivas desconhecidas
Gozou com gritos desmantelados
Pensou que talvez viria
(e sentiu uma estranha alegria)
a deglutir todo o tempo que se esvaía
Tombou com os pensamentos
Perdeu o sono e o sangue
Na parte mais escura da apatia.

Decidiu que não vivia. 

Acabou com a sorte 
Não raiou o novo dia

2.03.2004

Exit elboliviano
(por mais um tempo indeterminado)
Pour your misery down on me...

"What came first, the music or the misery? Did I listen to music because I was miserable? Or I was miserable because I listened to music? Do all those records turn you into a melancholy person? (...) The unhappiest people I know, romatically speaking, are the ones who like pop music the most; and I don´t know whether pop music has caused this unhappiness , but I do know that they´ve been listening to sad songs longer than they´ve been living the unhappy lives."
(High Fidelity, de Nick Hornby)



Muito bom. Quem nunca pensou sobre isso?

Eu prefiro não ter uma resposta. Por enquanto, tá ótimo.

Por sinal, esse livro é muito divertido...

Casa


Espaço vazio
metade da minha mente

Chove
abrasa o calor desse Rio

Em frio artificial
rememoro tons orgânicos

Meus sentimentos
passam perto do teu umbral

Vôo líquido
solidificado em tons aparentes

Palavras mecânicas
preenchem o meio manancial

Mas desapareces
pingo a pingo

Sob a chuva
colhida no meu quintal

1.30.2004

Existem tantos lugares e tantas coisas e tantos trabalhos e tantos merdões...

e eu não consigo um estágio com nenhum deles. NENHUM.

Puta merda.

Merda. Caralho.

Se esse período eu não conseguir, adeus comunicação.

merda...

1.23.2004

Regardez, s´il vous plâit!

Once upon a time, in a small piece of land, lived a small, green and strange type of shit. The shit didn´t know whose ass it had come from. It lived with this extraordinarily disturbing doubt until the day it saw someone shitting in a small bush by the side of the town´s main road. That ass smelt so familiar, and its shape was so strangely known that the shit, after days and days trying to guess why that particular ass had touched it so deeply, finally came to a conclusion:
"I was born in that ass!"

But why would the helpless little shit be so green, if his supposed origin-ass was so fucking brown, even though they smelt the same?
Esse foi um oferecimento tosqueiras.
Sur

De dentro de tudo
casca macia que nos recobre
perco as horas e desapareço
tentando rememorar
fio a fio
as imagens do teu nome

Sono absurdo que te consome
não te trazes para perto
nem por esses instantes.
Falo frases
profundo
inconstante
embebido em sangue estanque

confuso nas partes
que me sufocam no meu ar
meus pés separam
calo por calo
pedras que me exprimem
sem nunca antes me terem visto
pisar.

Vou voltar
sem pedir para entrar.



Livre

-Página um-
veio
veia
peço que pare
no instante
em que te odeio

-Página dois-
palavra
obtusa
intrusa
larva
de que me queimo

-página três-
esporro
porra
mato tudo e
retorno
(peço esmola)

pa-gi-na
pa-gi-no

es-ta-g-no

-Fin-
Duas semanas non-stopping, non-smoking e indoors. Completamente.

Distrações possíveis e alcançáveis: fotolog, Rubem Fonseca, Göethe, Blockbuster, Nick Hornby, CD´s.

Tudo bem.

Exit el boliviano.
(hehe)



1.13.2004

AMÍDALAS - parte 2


Sim, eu cheguei da viagem, que foi mto foda, por sinal. Cheguei na sexta-feira passada, dia 9.

Sim, minhas amídalas sentiram muitas saudades da minha cama. Cá estou eu, desde sábado, de novo, sob a vontade delas e suas inflamações.

Agora o médico disse: "provavelmente é caso de cirurgia".

Tira! Tira! Tira!
Agora elas são cortadas fora.

E isso é o que tenho a dizer, o que ocupa integralmente os meus pensamentos nesses últimos quatro dias.