4.28.2009


Enquanto ainda sobrevôo o oceano, o vento sopra forte pra todos os lados.

4.26.2009

Da varanda, vejo a cidade se resfriar toda, recolhendo-se como um papel molhado ao secar sob o sol. Mas não há sol. Nem um vestígio. Uns sons avulsos de carros. Um choro de um corvo. Gritaria de crianças. Como se estivessem o tempo inteiro a cortar o todo que ainda não toco. O ar é limpo e o céu é branco e cinza até onde se vê. Venta muito.

Entre um e outro corte, escuto alguns ecos fortes. Sem pensar, chego a sentir o sol batendo sobre a pele. Algumas vozes macias chegam aos ouvidos. Assim, sem pensar, consigo fazer a volta e olhar pra dentro daquela luminosidade. Amarela e azul, amarela e azul. Sinto outros cheiros e minha mão chega a se desdobrar em centenas de dedos, refestelados sobre a superfície macia da cama matinal.

De um a outro, num soluço, volto a estar de pé. Varanda seca e céu molhado. O papel já se encolhe quase ao tamanho de uma poeira.

4.23.2009

Fernando Pessoa faz a minha companhia perfeita.

No meio de tanta coisa, é bom ouvir uma boa voz em português, mesmo que seja saindo de umas folhas de papel.

Na sua forma Bernardo Soares, o português consegue exprimir quase todas as minhas sensações com meia palavra.

Tenho saudades do português.

4.15.2009

Sobrevoando o oceano.


Vancouver: 5:24 pm
Tóquio: 9:24 am
Joaquim Távora: 9:24 pm


Pra cada chegada, talvez mais de mil partidas.
Para cada viagem, criam-se algumas pequenas centenas de mortes.
Morre-se um pouco em cada canto.

4.12.2009

"Tudo isso se tornou parte da minha vida; não poderia deixar tudo sem chorar, sem compreender que, por mau que me parecesse, era parte de mim ficar com eles todos, que o separar-me deles era metade e semelhança da morte" (Fernando Pessoa)

Na Rua Joaquim Távora, assim como na Rua dos Douradores.

*

Assim, olhando pro relógio, percebeu que estamos metade fora e metade dentro do tempo. Sempre dessa forma: inteiro é impossível, dir-lhe-ia qualquer um de bom senso.

"Como se inscrever numa nova situação?"

O novo acalanta o velho de uma forma quase cruel. Não numa dialética, mas sincronicidade impressionante.

Estando aqui, caminhava os passos de lá: na beira da estação de trem, mergulhou o pé na água do mar salgado e verde que remexia com as ondas da Baía de Guanabara.