9.30.2007

A pele é o próprio tempo. Contém os resquícios de ontens eternos, respira o eu-mesmo ao redor das ilusões de auto-construção.

Ontem, ele percebeu. Apercebeu-se. Percebeu-se a si mesmo. Era um retrato desbotado, preto e branco e tintas coloridas, gestos vagos e muito incalculados, sorrisos ingênuos e sons perdidos dentro dos caminhos que tecia o ar quente. Eram décadas de vida, traduções impossíveis e alguma coisa de inefável. Era isso, ali, dentro do ônibus, carregando na pele impressões impalpáveis, materializando os minutos em cada respiro involuntário.

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