1.15.2005

Consciência

A janela suspirava atonitamente, chamando-o a pousar-se sobre ela e apreciar a melancolia mundana que se escorria por debaixo do seu nariz. O velho que andava na calçada, equilibrando-se na beirada do meio-fio, parecia suspeitar do desenho estranho e belo que compunha junto com os carros, o asfalto, o cinza e o barulho. Olhava rápidos olhares na direção das pessoas, como se buscasse confirmação da sua beleza efêmera. Poesia eterna que está presa em cada segundo.

Pôs-se a olhar a vista. Esperava que algo extraordinário o arrebatasse a qualquer canto do seu pensamento, onde estivesse longe de tudo aquilo que o perturbava. Mas a realidade estava mais na perturbação do que no suco que o esperava na geladeira. Muito mais. A tristeza é sempre muito mais concreta do que a felicidade. E a poesia vinha como um pote de sangue entornado pra dentro de sua cabeça. Não conseguia respirar. Sentia uma incômoda liberdade, que preenchia seus póros a ponto de espremer lágrimas para fora do seu olho. Perdia-se em meio a tantas coisas que lhe surgiam a um só momento. O mundo podia ser tão disponível, que lhe causava vertigens. A beleza triste de uma palavra engasgada pela noção absoluta da impossibilidade. Engasgada de tanta vontade.


(final em homenagem à Shady Lane)

1.13.2005

"I wanna ra(n)ge life..."

Dando passos sobre um chão invisível. O vento que vinha debaixo poderia fazê-lo voar para tão alto que perderia de vista as coisas reais.

Um alívio tão grande que sentia: poder se perder seria, de fato, a opção mais sensata naquele momento. Sentir um pouco do escuro e do claro talvez lhe desse precisamente o que necessitava.

Ar fresco. Luz pura. Um pouco de gelo no copo e alguns cigarros apagados. Percepção colorida de um mundo sem cores. Mas, ainda assim, com algum brilho. Pronto para um novo passeio.

1.11.2005

Encantamento

Ao pé da porta
pés descalços sobre o cimento quente
Esfria pensamentos com pequenos
sorrisos desmanchados
Perde o foco
sob a luz fria
na noite que sufoca
os meus respiros apressados

Corpo que afrouxa laços.

12.27.2004

Parafraseando a tristeza


Um carro. Cinco assentos. Um ocupado.

Céu escuro. Noite azul e tão seca quanto a garganta. As luzes dos postes marcam a vista, traçando uma linha contínua que guia o caminho sobre as águas. Os segundos vão ficando para trás, empurrados pelos pneus. O asfalto parece combinar com os pensamentos.

O nada de sempre. Vazio que não se preenche. "A esperança de uma arma apontada para a sua cabeça".

12.24.2004

Novo

Como não escrever sobre esse ano que termina, se ele está terminando?

Alguns poucos pontos minados passaram debaixo dos meus pés, mas eles deixaram estilhaços tão pesados que espero conseguir dissolvê-los no sol do verão que está para chegar. O vazio de um copo d'água sem água - a sede torna-se quase insuportável. Uma parte com sede incessante, a outra tentando saciá-la com pedaços de ar. Fins de semana, conversas internas, músicas, livros e filmes. Ares cheirosos e frescos, mas nunca água.

Como um interminável barulho de buzina, no meio do trânsito. Asfalto quente, respiração ofegante, suor sobre os olhos. As imagens bonitas distorcidas à monstruosidade pelo calor desumano que frita nossas mentes. As palavras que você escuta separadas do seu contexto. Tudo um grande ruído. E ponto.

Ano que vem existe para isso. Pensar que pode chegar a algum lugar. Um copo d' água, ar fresco e respiração. Alívio. Ou morte certa.

12.05.2004

Sweet (sweet...) dreams are made of this

-Será?

Era quase nada. Pôs na boca e achou que poderia continuar como antes. A música era estranha, o ambiente amigável - escuro e estranhamente familiar. Espaços amplos e vazios. Relaxou.

-E aí? Já?

Nada. Parecia que estava cada vez mais desenvolto dentro dos seus próprios limites físicos do corpo. Apenas isso. Conseguia sentar-se e tomar uma cerveja tão levemente quanto conseguia ficar de pé e fumar um cigarro.

Andou de um quarto ao outro, procurando algo que o prendesse. As luzes eram de cores diferentes, e a casa se transformava em um enorme mosaico de quartos coloridos: verdes, azuis, roxos, amarelos. Não havia móveis, e as bexigas flutuavam no ar de maneira incadescentemente frágil. Banheiro, quarto, quadrado, quarto, retângulo, escada, verde, azul, flurescente, roxo, preto.

Bum. Percebeu a música. Começou a rir. A realidade pode ser realmente divertida quando nos encontramos distanciados dela. Distaciados e, ao mesmo tempo, completamente imersos. Mergulhados.

O ar o puxava de um ambiente ao outro, os gritos eram euforicamente felizes. Felicidade. Artigo tão escasso que deve ser degustado com todas as células de todas papilas gustativas. Pegou um pedaço de gelo e passou pelo seu rosto. O gelo podia derreter em poucos minutos, em contato com a sua pele. O rosto, o braço, o pescoço. O gelo. Isso sim era sentir o que há de concreto na realidade.

Quando achou que ia parar, deram-lhe mais gelo, a música voltou e o sol começava a nascer. Ainda duraria algumas horas. O sol esquenta e o gelo derrete. Vida simples, cíclica e muito satisfatória.

11.21.2004

E aí, melhorou?

11.20.2004

Blog de cara nova. Alguém notou?

11.19.2004

Ar preso


Abriu a porta e viu que estava preso dentro das suas próprias impressões. Havia há pouco conhecido uma menina que lhe havia absorvido por completo. Ela escrevia palavras perfeitamente encadeadas e falava como quem suspira por alguma constatação muito importante e secreta que acabou de fazer. Ela se concentrava nela e parecia se movimentar através de pequenas explosões ao redor de si mesma. Tinha a leveza na mesma proporção da tristeza, que lhe davam o ar único.

Viu-se no quarto. Televisão, porta, janela e ventilador. Ligou o som, pôs alguma música para poder não-pensar. Mas, será que existe? Resolveu contentar-se com migalhas. Restos de poesia que ela deixava pelos caminhos, a cada passo que imprimia no chão de madeira. Poderia guardar as poeiras que lhe caíam, mas nunca deixar-se perceber. Conseguia tranformar-se em cadeira para não ser notado. Aos poucos, definhava na sua própria consciência. Gostaria de explodir, mas seus pedaços desmoronavam para dentro do seu estômago.

Deitou-se na cama. Olhou para o céu, que aparecia por entre os intervalos da perciana que cobria a janela, meio danificada com os anos. Prendeu a respiração e contou até 60. Um minuto! E ainda podia respirar. Teria que voltar no dia seguinte, e isto não estava nos seus planos. Confrontar-se com algo que, supunha, nunca conseguiria concretizar era angustiante. Tristeza inchada como uma bola de neve. Nem o sol que fazia do lado de fora conseguiria derreter. Preso dentro das suas reduzidas possibilidades, achou que sim. O encanto pode ser tanto um vício como uma asfixia. Preferiu escolher. Abriu a janela e sentiu o ar passar de leve pelo seu nariz. Talvez, quem sabe, agora conseguisse.

11.15.2004

Hospital

Alinhando pensamentos inconclusos
Perfuro a imagem
Mato a sede com os anseios frustrados
Lado a lado
Enfileirados
Calo e acendo o cigarro
Fumo apagado e contento-me
Com a pouca mensagem que me lêem
-se me lêem-
Comprimo as angústias em algumas poucas
palavras apressadas
Retorno ao meu limite
Retirando traço a traço
os espaços apertados
desenho o fim com ingenuidade
e euforia de uma criança que nasce
e morre após a primeira baforada
do ar gelado
condicionado
do hospital

Exercício de sobrevivência

O que é importante agora?, ele se perguntou. Talvez não viver fosse bastante importante. Mas já havia passado dessa fase. A adolescência pode vir e ir de uma maneira estranhamente rápida. Nunca conseguiu entender lamentos vazios, palavras escuras saídas de mentes extremamente brilhantes. Pensava que escuridão tinha que ser honesta, muito mais do que exercício de estilo. Sentia-se um pouco perdido no meio de tantas referências que se esvaziavam conforme consolidava seu próprio buraco. Cada vez mais fundo. Suas convicções não possuíam parâmetro, infelizmente. Será que é possível?

Foda-se a irritação!, pensou. Havia perdido alguns anos e cigarros levando seriamente em consideração suas vontades que, no entanto, se submetiam aos seus medos mais repugnantemente humanos. Reconhecer-se igual é uma atitude muito desconcertante. Qual seria a finalidade de gritar, se podia agüentar a dor calado. Resolveu se concentrar. Degustar a sensação de estar completamente sozinho poderia ser uma atividade interessante, tentaria dar mais atenção a isso. Convites, interjeições e pequenos diálogos não o enganariam dessa vez. Viver poderia ser suportável, se passasse a observar sua existência definhando a cada minuto que passava. Resignou-se e explodiu alegremente e mais satisfeito do que nunca.


9.17.2004

Virtus Dormitiva



Sexta-feira, à noite, em casa, curtindo uma leve doença... pelo menos, dessa vez, não é amidalite.

Vários programas para fazer sem sair da minha cama (escrever no blog já está sendo algum esforço): ler, ouvir música, ver filmes. Escrever também dá. Mas o mais legal é pensar - dessa vez até está sendo tranqüilo. Ah, e dormir, obviamente. Por sinal, o que eu fiz na maior parte do dia, por conta de um remédio muito bom.

O que será que as pessoas estão fazendo agora?

- - - - - - -

Um pensamento ótimo:

"Os fisiólogos deveriam refletir, antes de estabelecer o impulso de autoconservação como impulso cardinal de um ser orgânico." (Nietzsche, em Além do Bem e do Mal).

Eu sempre pensei isso. Já perguntaram a todos os fumantes se eles realmente querem ter uma vida longa? Vontades não são tão óbvias assim.



9.13.2004

Top 2 - blogs

Firula, você pode ser chato (e fashion, tá bom...). Mas eu gosto muito de ler o seu blog.
Sempre junto com o da Carol (que, contudo, não é chata, mas também tem um ótimo blog).

(Ahhh péla-saco!!)

p.s.: por causa de vocês dois eu ainda escrevo, parcamente, neste blog.


(...) até que se chegue.



Falta tanto...
Perimetral. Voltando a alguns anos atrás, enquanto eu ia pra Botafogo. A chuva, num domingo em que você não sente a angústia de não-viver, é sempre muito boa pra achar que você pode estar tão bem quanto esteve há alguns anos atrás. Anos atrás, indo pra algum lugar.
As coisas poderiam ser tão melhores quanto eu tão menos observador. Conforme os dias passam, os meses e assim por diante, a rua fica cada vez mais rua, o carro cada vez mais carro, e as coisas cada vez mais as coisas. As pessoas talvez também. Voltam para a existência real delas. Sem metafísica e sem expectativa. Os livros talvez ainda guardem algo mais. E alguns cds - até os cds e os vinis e as músicas...
Quando as cores eram mais saturadas, a vida era mais interessante. E o preto e branco contrastado um charme quase inexplicável. Ano passado certamente foi bem melhor do que esse ano. A vida tende a um declive que parece interminável. Como as pessoas conseguem viver até os 60? Resistência sem limites talvez não seja o meu talento. - e o talento ainda era algo que realmente existia -...
Pois então, nesses momentos, é importante ater-se àquilo que se sente vontade. As poucas coisas que merecem esse posto ainda podem ser interessantes. Provincianamente e ignoravelmente interessantes, mas ainda assim ocupam parte do seu dia. E assim se vai.
O passado sempre é um bom lugar ao qual recorrer. E, nos dias de chuva, domingo, em que não se ocupa a mente com quase nada, ele vem certamente. Pelo menos para quem o resto não oferece muita coisa.

Mente vazia: mente sã.

Renovar é um processo que, infelizmente, descarta todo o resto do mundo.

8.31.2004

Por favor, uma pausa para o café.
Voltemos a ser normais.
Chega de fingir tantas coisas que se esquece o que se realmente é.
Porra.
Inteligência é, cada vez mais, um conceito relativo.

Novamente, aqui. Pousei mais uma vez neste blog.

A conclusão das últimas semanas: a vida, infelizmente, se tudo é feito "como deve ser feito", talvez não valha tanto a pena. Se "viver bem" é trabalhar no que você gosta, mas trabalhar tanto que isto se torna a sua vida, definitivamente não vejo muitos atrativos. Mas, ao mesmo tempo, quem tem coragem de chutar o balde e mandar tudo à merda?! Por enquanto, eu não tenho...

Preciso de tempo para pensar... pensar em nada, pensar em porra nenhuma, olhar pro teto e andar na praia... respirar com calma!! Merda!!!!!!

A seriedade e a responsabilidade são conceitos feitos par tornar as pessoas previsíveis e controláveis. Presas dentro de uma rotina fudida. E, quando felicidade para mim passar a se resumir a um aumento de salário, podem me enterrar, porque eu já vou estar morto...

...

8.09.2004

Quantos leitores?
Então...

você percebe que apodreceu.
E que se perdeu no meio de tantas bifurcações.
Foda-se o que pensava, agora parece que o empurra o nojo que pode ter
de si mesmo.

E todo mundo
pensa esperar assim
por um dia chegar
a viver feliz.

Felicidade é droga
que nunca atinge a overdose.

Amo a vida
e a morte mais ainda.


7.25.2004

Sim.

 
Escrever pode ser muito bom. E a consciência de que você escreve para pessoas hipotéticas lerem é incrivelmente mais prazeroso.

Acho que vou voltar a freqüentar esse espaço. Para ver se as idéias voltam a se ordenar, depois de algum tempo caoticamente desfiguradas.

 
Come back

Pois é... quero ver quantas pessoas vão ler este post. Duvido que mais do que um curioso saudosista que, de repente, teve a idéia de rever blogs dos amigos, que costumavam escrever sempre. Ler coisas antigas, para relembrar fatos passados.

Fazia tanto tempo que eu não escrevia aqui que eu não me lembrava o meu username, o meu password e nem tinha visto esse layout totalmente diferente que esse negócio tem agora. Muito bom, as coisas mudam, até layouts de internet.

Ontem eu me encontrei com várias pessoas com as quais eu não passava mais do que alguns minutos, há muito tempo. E ontem passei uma festa inteira com elas. Eu me lembrei, de uma maneira muito forte, de detalhes e sensações que eu tive e vivi há mais de dois anos atrás. Dois anos que comportam muito mais. Dois anos que passaram voando, e que parecem ter provocado mudanças de uns dez anos. Mudanças que transformaram as pessoas. Mudanças algumas ótimas, outras que, analisando melhor, podem parecer pouco recompensadoras. Parece que, certo dia, éramos e, no outro, não mais. Incrível. Que, a partir de certo momento, não tem mais ineditismo, não tem mais manhãs fodas, dias de sol na praia, fumar um cigarro com os seus amigos, passar horas olhando o pôr-do-sol, ficar em casa lendo um livro, pensar no que você provavelmente pode estar precisando. Pensar no que te satisfaz de verdade, de repente, é um luxo grandioso, do qual você raramente pode desfrutar. E que, talvez, você esteja começando a ser quem você repudiava, há dois anos atrás, em todas as escolhas.

A vida pode ser bem melhor do que essa pouca merda. Perceber que está uma merda é o primeiro passo. E perceber que "eu mesmo" não é uma abstração é outro. Estamos no caminho...

4.14.2004

Uma outra resolução: não ir ao trabalho amanhã. Preciso disso.
(ir)resoluções

Algumas coisas me fazem realmente mal. A falta de tempo me impulsiona pra uma crise ainda maior de auto-estima, que já é quase inexistente. Onde estão os interesses, que um dia já foram tantos que me sufocavam?

Talvez esteja ficando um pouco mais burro.

Ser engraçado, por vezes - muitas vezes -, me incomoda profundamente. Quase sempre não pretendo ser engraçado, mas armaduras existem pra você não se expor. Mas, no final, a exposição talvez seja ainda mais dolorosa. Palhaço, na minha opinião, sempre foi das funções mais humilhantes.

Preciso de espaços livres pra pensar, mas eles têm sido cada vez mais escassos. Parar tudo, neste momento, paradoxalmente, vai me tirar da estagnação. Essa estagnação não diz respeito a nada concreto, mas alguma coisa que morreu por ações imperceptíveis ao longo do tempo. Ações pelas quais eu me deixei levar. Ironicamente, um dos meus grandes problemas - que eu detecto - é pensar demais. Só que pensamentos espasmáticos conduzem a crises gigantescas. Retidos eles provocam, às vezes, danos insuperáveis. Mas então, tem saída? Provavelmente não.

4.02.2004

Desconexo.
Completamente.

Mas quem não é?
Poizentaum...

resolvi escrever de novo aqui. Depois de muito tempo...

A vida tá assim, meio mais ou menos - sempre volta a esse estágio (estágio? não, nunca...). As pessoas tão meio (meio? pfff...) longe daqui - geograficamente e, em certos casos, psicologicamente também. Claro, não por minha vontade. Mas, vida é assim mesmo. Quase sempre uma merda. De vez em quando a gente acha que não.

Pra algumas pessoas, eu tenho o que falar. Pra outras, nem tanto. Não precisa. Gosto de (quase) todo mundo mesmo assim. E, às vezes, tenho saudades. Mas, quem não tem? Nem todo mundo é sempre a mesma coisa.

E, de vez em quando eu escrevo. E, de vez em quando, eu acho alguma coisa que eu escrevi há muito tempo. Um pensamento que não foi tão esquecido assim. E, não é que cabe? Sempre...

Poizentaum...


*Pour*

Falta sono
Falta nome
Não tenho pensamentos
não tenho sentimentos
quando você some
Com seus impulsos constantes
Com sua ausência estranha
Faltam cores que te transbordam
Falham sons que não me chamam
voz de não
prendo-me no chão
Você
impecavelmente
pinta paisagem pra cego
e me consome.

2.16.2004

Essa música é ótima, e condiz muito com os [meus] últimos dias...


"I'll fake it through the day
With some help from Johnny Walker Red
Send the poison rain down the drain
To put bad thoughts in my head
Two tickets torn in half
And a lot of nothin' to do
Do you miss me, Miss Misery
Like you say you do?

A man in the park
Read the lines in my hand
Told me I'm strong
Hardly ever wrong I said
"Man you mean--"

You had plans for both of us
That involved a trip out of town
To a place I've seen in a magazine
That you'd left lyin' around

I don't have you with me
But I keep a good attitude
Do you miss me, Miss Misery
Like you say you do?

I know you'd rather see me gone
Than to see me the way that I am
But I am in your life any way

Next door the T.V.'s flashing
Blue frames on the wall
It's a comedy of errors you see
It's about taking a fall

To vanish into oblivion
It's easy to do
And I tried to leave but you know me
I come back when you want me to.

Do you miss me, Miss Misery
Like you say you do?"

(Miss Misery - Elliot Smith)

De volta ao blog...


Alguém se coloca em pose. Veste-se de si mesmo, um pouco alterado. Dá voltas ao redor de si e, de repente, cai espatifado.

Alguém não consegue. Mergulha fundo no mundo, mas o mundo não é do seu tamanho. Reproduzir parece enfadonho. Não tem os olhos vendados.

Por tristeza, entende-se certeza. Certo que a sentença da verdade é morrer de liberdade. O ar falta.

Introjetadamente. Vê-se fora da corrente.

2.09.2004

SEQÜESTRO FAMILIAR
E do nada... perdi uma chance de falar


Rua. Meia-noite e meia. Uma garota. Um senhor. Muitos gritos.

"Dinheiro não compra as pessoas!"

Pai. Filha.

"Eu desisti. Não vou com você, porra!"

Pai. Tapas. Filha.

"Você tá drogada?"

Filha.

"Você é um merda. Tá sem maconha. Fica alterado."

Pai. Pessoas. Filha.

"Vou te levar à força, filha da puta."

Mãe. Submissa. Filha.

"Mimada!"

Filha. Pai.

Chuva.

Eu. Minha cabeça. Entendimento perfeito.

"Sai de casa!"


Família. Instituição falida.


2.07.2004

Ao todo  


Percebeu que não vivia
Perdia o tempo com palavras gastas
E gestos fracos
O tempo perdia-se
No seu tempo esvaziado
Trouxe pra perto
Tudo experimentado
Trouxe tudo estragado
Consumiu até o último cigarro
Apodreceu o seu pulmão despedaçado
Retornou salivas desconhecidas
Gozou com gritos desmantelados
Pensou que talvez viria
(e sentiu uma estranha alegria)
a deglutir todo o tempo que se esvaía
Tombou com os pensamentos
Perdeu o sono e o sangue
Na parte mais escura da apatia.

Decidiu que não vivia. 

Acabou com a sorte 
Não raiou o novo dia

2.03.2004

Exit elboliviano
(por mais um tempo indeterminado)
Pour your misery down on me...

"What came first, the music or the misery? Did I listen to music because I was miserable? Or I was miserable because I listened to music? Do all those records turn you into a melancholy person? (...) The unhappiest people I know, romatically speaking, are the ones who like pop music the most; and I don´t know whether pop music has caused this unhappiness , but I do know that they´ve been listening to sad songs longer than they´ve been living the unhappy lives."
(High Fidelity, de Nick Hornby)



Muito bom. Quem nunca pensou sobre isso?

Eu prefiro não ter uma resposta. Por enquanto, tá ótimo.

Por sinal, esse livro é muito divertido...

Casa


Espaço vazio
metade da minha mente

Chove
abrasa o calor desse Rio

Em frio artificial
rememoro tons orgânicos

Meus sentimentos
passam perto do teu umbral

Vôo líquido
solidificado em tons aparentes

Palavras mecânicas
preenchem o meio manancial

Mas desapareces
pingo a pingo

Sob a chuva
colhida no meu quintal

1.30.2004

Existem tantos lugares e tantas coisas e tantos trabalhos e tantos merdões...

e eu não consigo um estágio com nenhum deles. NENHUM.

Puta merda.

Merda. Caralho.

Se esse período eu não conseguir, adeus comunicação.

merda...

1.23.2004

Regardez, s´il vous plâit!

Once upon a time, in a small piece of land, lived a small, green and strange type of shit. The shit didn´t know whose ass it had come from. It lived with this extraordinarily disturbing doubt until the day it saw someone shitting in a small bush by the side of the town´s main road. That ass smelt so familiar, and its shape was so strangely known that the shit, after days and days trying to guess why that particular ass had touched it so deeply, finally came to a conclusion:
"I was born in that ass!"

But why would the helpless little shit be so green, if his supposed origin-ass was so fucking brown, even though they smelt the same?
Esse foi um oferecimento tosqueiras.
Sur

De dentro de tudo
casca macia que nos recobre
perco as horas e desapareço
tentando rememorar
fio a fio
as imagens do teu nome

Sono absurdo que te consome
não te trazes para perto
nem por esses instantes.
Falo frases
profundo
inconstante
embebido em sangue estanque

confuso nas partes
que me sufocam no meu ar
meus pés separam
calo por calo
pedras que me exprimem
sem nunca antes me terem visto
pisar.

Vou voltar
sem pedir para entrar.



Livre

-Página um-
veio
veia
peço que pare
no instante
em que te odeio

-Página dois-
palavra
obtusa
intrusa
larva
de que me queimo

-página três-
esporro
porra
mato tudo e
retorno
(peço esmola)

pa-gi-na
pa-gi-no

es-ta-g-no

-Fin-
Duas semanas non-stopping, non-smoking e indoors. Completamente.

Distrações possíveis e alcançáveis: fotolog, Rubem Fonseca, Göethe, Blockbuster, Nick Hornby, CD´s.

Tudo bem.

Exit el boliviano.
(hehe)



1.13.2004

AMÍDALAS - parte 2


Sim, eu cheguei da viagem, que foi mto foda, por sinal. Cheguei na sexta-feira passada, dia 9.

Sim, minhas amídalas sentiram muitas saudades da minha cama. Cá estou eu, desde sábado, de novo, sob a vontade delas e suas inflamações.

Agora o médico disse: "provavelmente é caso de cirurgia".

Tira! Tira! Tira!
Agora elas são cortadas fora.

E isso é o que tenho a dizer, o que ocupa integralmente os meus pensamentos nesses últimos quatro dias.

12.26.2003

Sabe o que é incrível? Esse negócio de fim de ano realmente é estranho. Eu não consigo não pensar no ano que tá terminando e não consigo não querer falar pra todas as pessoas o quanto eu gosto delas (claro, as que eu realmente gosto).

Eu penso em todos os momentos do ano, os que eu estava incrivelmente bem e feliz e os que eu estava absurdamente mal. E, com certeza, esse ano foi recheado dessas duas coisas.

Penso nos meus amigos, que me ajudaram nos meus momentos cuzões, e que estavam também pra dividir as sensações fodonas pelas quais passei, e aqueles que, apesar de eu querer muito mesmo, simplesmente não puderam estar, por diversos motivos. E as pessoas que eu conheci e, que, de alguma forma, me surpreenderam. Eu gosto pra caralho de todo mundo - e isso é sério, não é papo de fim de ano. Claro, todo mundo não é exatamente toodo mundo, mas quem está incluído, com certeza, ao ler isso, saberá.

Penso nas merdas que eu fiz - são muitas -, nas pessoas que sofreram com isso (aí entra, muitas vezes, a minha família, que é muito foda e nem sempre eu reconheço isso...), e nas merdas que outras pessoas fizeram (sim, pq todo mundo faz merda nessa mundo).

Penso nas coisas que aconteceram, em quanto tempo se passou tão rápido, em como eu estou envelhecendo, em quanto eu estou longe do que eu imaginei pra mim nesse momento há dez anos atrás, em quanto as coisas voam.

E, o mais incrível, eu sinto saudades. Muitas saudades. Saudades das épocas que eu sei que não voltam mais, apesar de terem sido tão fodas e tão intensas. Eu sinto saudades de não precisar procurar estágio, de curtir muito tudo sem ter responsabilidade nenhuma. Saudade de algumas pessoas. Saudades de alguns dias, de algumas músicas nesses dias, de alguns lugares, dos ares de alguns lugares, das vozes de algumas pessoas, dos cheiros.

Pois então. Nostalgia. Viva essa merda, que é ela que nos faz lembrar que o tempo passa mesmo, e as coisas nem sempre podem ser como já foram. E que, muitas vezes, você não dá valor a coisas tão fodas - essas que hoje te fazem perder o ar só de lembrar - enquanto elas estavam acontecendo.

Mas a vida é assim. E, por isso, também posso pensar que ainda tem muita coisa pra acontecer.

Gosto mto de vocês.

Amanhã eu viajo, portanto:

FELIZ ANO NOVO!!!


12.24.2003

Esse é um post completamente paranóico.

Não consigo parar de pensar nas minhas amídalas. Incrível. Eu fico horas analisando elas. Eu já tô melhor da doença, mas, agora, há dez minutos atrás, a minha amídala direita começou a doer. De novo! Porra! O fim de semana inteiro, a amídala esquerda doeu mais do que a direita, que doía, mas só um pouco. Então, um dia depois da dor - de ambas - passar, a direita resolve se manifestar. Que cu!

Amidalite é uma coisa muito ruim. E uma coisa que eu tenho a cada duas semanas. Hoje eu tava no Odeon e percebi que eu me lembro do Odeon sob a perspecitva da amidalite. Da última vez que eu fui lá, numa maratona, eu tava com ela - e todas as suas filhas: febre, dor de cabeça, dor no corpo, delírios. Então, passei a perceber um padrão na minha vida: de todos os lugares eu tenho uma lembrança sob a sensação da amidalite - eu lembro dos lugares com a sensação que eu tinha quando estava com essa merda lá. Entenderam? Então, não só os lugares, mas as músicas também. E as garotas com quem fico. Isso é incrível! E, quando não é a lembrança da amidalite em si, é da iminência de sua chegada.

Isso é surpreendente. Cheguei a conclusão que tenho uma vida paralela, concomitante àquela em que várias coisas acontecem. Nessa vida paralela, só há dois acontecimentos: amidalite e iminência da amidalite - ou, melhor dizendo, o início da percepção da dor na garganta.

Preciso arrancar as amídalas!

12.21.2003

Cores obtusas
E profusas palavras de lampejo
Recomeço meu trajeto
e vejo que no final
tudo retorna ao desejo

12.20.2003

Muito pertinente essa música agora. Muita coisa coincide, mesmo tendo sido feita num frio escroto e inglês. Mesmo assim. E ainda é muito foda.


Funny time of Year


These silent words of conversation
Hold me now this adulation
See me now
Oh it's easy now

Falling like a silent paper
Holding on to what may be

And I only hear
Only hear the rain

And many rains turn to rivers
Winter's here
And there ain't nothing gonna change
The winds are blowing telling me all I hear
Oh it's a funny time of year
There'll be no blossom on the trees

Turning now I see no reason
The voice of love so out of season
I need you now
But you can't see me know
I'm travelling with no destination
Still hanging on to what may be

It's a funny time of year
I can see
There'll be no blossom on the trees
And time spent cryin' has taken me in this year
Oh it's a funny time of year
There'll be no blossom on the trees

Beth Gibbons
Ano Novo.

Ano é uma coisa estranha.
Você comprime vários acontecimentos em uma unidade de tempo. Aí tem que relacionar diversas coisas a uma só.
Ano que acaba é muito bom. Dá uma sensação de que você fez bem as suas coisas (pelo menos, por enquanto). Relembrar um ano é uma das melhores coisas.

Não vou ver nem metade das pessoas que eu gostaria nesse ano novo. O do ano passado foi memorável. O desse ano provavelmente vai ser também, mas de uma outra maneira. Não vai ter tantas pessoas. Tantas pessoas fodas e que fazem falta. Vou sentir falta da presença de todo mundo e mais outras pessoas, que não estavam. E, ainda, o ano de 2002 foi muito fodão, é difícil que 2003 supere, apesar de também ter sido bom. Mas as coisas são assim.

Ano novo é bom. É bom achar que vai ser tudo muito foda, apesar de todo mundo saber que, na maioria das vezes, pouca coisa muda.

Feliz ano novo pra vocês!
DOENÇA

Um sábado. Inteiro. Apodrecendo em cima da cama. Por causa de uma garganta que, a cada duas semanas, me fode.

Febre. Anti-térmico. Suor. Febre. Anti-térmico. Suor. Dor de cabeça. Dor de cabeça. Dor de cabeça.

Porra! Por quê? É uma das maiores merdas que existem. Doença.

Agora. Sábado. De noite. Onde estou? Na frente do computador escrevendo numa merda de um blog e ouvindo música sozinho.

Acho que tô fumando demais...

12.16.2003

I
don´t know
just where I´m going
but I´m
gonna try
for the kingdom
If I can
cos´ it makes me feel like I´m a man
When I put a spike into my vein
and I´ll tell´ya things
aren´t quite the same
when I´m rushing on my run
and I feel just like Jesus´ son
and guess that I just don´t know
oh and I guess that I just don´t know


Resolvi escrever nessa merda hoje.

Esses dias tão muito quentes, não consigo pensar direito. Então, não tenho muito o que escrever.

Com esse calor, quantos litros de suor uma pessoa deve liberar por dia? E se esse suor for evaporado? Só no Brasil, 160 milhões (é isso ou já aumentou?) de pessoas soltando água pelos poros, que é evaporada pelo sol absurdo. Por isso que chove pra caralho nessa época.



11.28.2003

Às vezes, a sobriedade proporciona ondas muito melhores que todas as outras.

Pode ser muito bom.

E você não se esquece.
"Mescladinho... né primo, né japa?"

Muito bom o Arpoador.
Amigos fazem falta.
Psicanalista pra quê?
Eu tenho saudades...
de muitas coisas...
Alguém ainda lê esse blog?

Alguém
ainda?

lê?

Quem lê?

Esse blog?

Alguém ainda lê?

11.17.2003

[]'s

Silêncio!
Não está vendo que estou morto?
Sei que por longas horas
passei pela poeira de anos escuros
entoei versos apodrecidos
embebido de vinho estragado.
Quando resolvi me desfazer
de mim mesmo
foi gloriosa a calma
que me prendeu aos dedos
ao rosto
à pouca coisa
que me restava.
Não consigo contentar-me
com esse placebo de merda
anestesia de almas
rasas e rotas
gangrenando pelos cantos escusos.
Sou como todos
mas vejo isso com claros olhos.
O pensamento come qualquer intenção
vazia que nos acomete.
Penso que não sou mais
parte de tudo que me traz
os estranhamentos encobertos
pelo meu desfalecer.
Silêncio!
Respeita minha morte
que eu respeito o teu padecer.

11.15.2003

Sim...
mas então...
TUDO

Faz parte
de tudo
não ser quase nada assim

Faz parte de mim
não ser tudo
Nada enfim

Faz parte de nada
ter-me perto
dentro de si

Vou para fora
e vejo as coisas
sem mim
Completamente Arcaico - que merda!

"vou cruzar os braços quando todos se agitam ao meu redor, dar as costas aos que me pedem por socorro, cobrindo os olhos para não ver suas chagas, tapando as orelhas para não ouvir os seus gritos, vou dar de ombros se um dia a casa tomba: não tive o meu contento e o mundo não terá de mim a misericórdia (...) fui jogado à margem sem consulta, fui amputado, já faço parte da escória, vou me entregar à doce vertigem de quem se considera, na primeira força da idade, um homem simplesmente acabado (...) pertenço como nunca desde agora a essa insólita confraria dos enjeitados, dos proibidos..." (Lavoura Arcaica, p. 138-139)
Posts da semana

1-
2-
3-
4-

11.04.2003

CWINDOWSDesktopFightclub.jpg
Fight Club!

11.02.2003

Indie e funk - tudo a mesma merda


Muito divertido!

Apesar de algumas dúvidas - playback??? - foi mto divertida a apresentação da malucona Peaches..."fuck the pain away... fuck the pain away... i u she together, come on baby let´s go... i don´t wanna make a choice..."

E depois, no auge da noite: "eu só queero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci...É... e poder me orgulhar de ter a consciência que o pobre tem seu lugar.... ciiiiiiidade de deus é o maiooor barato..."

Genial!

E mais genial foi ver a legião de indies presentes perdendo a linha e rebolando no pancadão!... mto bom!



10.29.2003

Ninguém desistiu de ir nesse dia??
PORRA!

• Whirlwind Heat
• Fellini
• Super Furry Animals
• The Rapture
• The White Stripes

Esses são os shows que eu já perdi.
Os ingressos esgotaram e eu vou receber o salário (atrasado um mês) amanhã! Não comprei.
PORRA! Tô puto. Eles não reservam nada pra vender na hora????

Que cu. Vou só no sábado, pelo visto.

Mas então...

vcs estão lendo?
ARCAICO

"eu tinha de gritar em furor que a minha loucura era mais sábia que a sabedoria do meu pai, que a minha enfermidade me era mais conforme que a saúde da família, que os meus remédios não foram jamais inscritos nos compêndios, mas que existe uma outra medicina (a minha!), e que fora de mim eu não reconhecia qualquer ciência, e que tudo era só uma questão de perspectiva, e o que valia era o meu e só o meu ponto de vista, e que era um requinte de saciados testar a virtude da paciência com a fome de terceiros" (Lavoura Arcaica, p. 111)


Esse livro é absurdamente foda.


É ilusão achar que somos exlusivamente o que escolhemos. Somos também a expectativa dos outros, somos as escolhas de outros. Somos - muito - as frustrações
de muitas pessoas - talvez a maioria nem conheçamos. Temos milhões de idéias pré-produzidas, opiniões recicladas e gostos refinadamente copiados de um pro outro.

E o que sobra de individualidade, a gente gasta sozinho cagando ou é queimado nas drogas. Ou na igreja.

Quantas pessoas será que ainda lêem esse blog morto?

Hoje, tenho um aviso importante: tô com novo celular. Para aqueles que precisam dele de vez em quando, aqui vai:

9873**** (para saber: leiam seus e-mails ou procurem de alguma forma)

(eu ainda vou levar uns meses pra decorar o número)

10.22.2003

Velvet Underground, Chico Buarque, Strokes, Chet Baker, Bob Dylan, Los Hermanos, Pixies, Belle and Sebastian, Pixinguinha, Suede, Arrigo Barnabé, The Clash, Pink Floyd, David Bowie, Nação Zumbi, Radiohead ...
Sons variados.

CORES PODEM VARIAR!

Quem não se lembra do programa que marcou uma época?

Ele está de volta, junto com a Radio Interferência!
Agora, no rádio e na internet.


CORES PODEM VARIAR vai ao ar nas terças, de 16h às 17h. Ouçam!

10.18.2003

Fumaça

Quatro focos de luz.

O feixe cai
de uma folha a outra
e reluz o todo escuro.

Vidas que se aquietam
em águas paradas
secas e cortadas.

Mas não me perturbo.

A paz não faz barulho.
Pessoas que já não são mais
desapareceram aos poucos
dentro do riso solto
de conversas tão banais.

Nunca é mais o mesmo estrondo.

10.13.2003

PACIÊNCIA

Uma coisa que eu não tenho tido muito.

Tô precisando viajar.

A faculdade tá meio merda. As coisas tão chatas (e não dão certo).

Novidades (e antigüidades também...) são sempre necessidades... e mto bem-vindas. Mas, quais??

9.30.2003

DOR DE GARGANTA

Nessa época de Festival do Rio (e dor de garganta) o blog fica meio abandonado.

9.23.2003

EM DESUSO

Não vou contar fatos do meu dia-a-dia (primeiro, pq eu não sei se eles são suficientemente interessantes pra estarem aqui; segundo pq eu não gosto de escrever sobre isso...), não vou escrever sobre meu trabalho, nem faculdade, não vou contar histórias sobre pessoas nem lugares, não vou postar fotos (até pq não tá rolando...), não vou escrever sobre assuntos corriqueiros, não vou falar de pessoas famosas ou não, não vou falar (pelo menos, direta e claramente) sobre minhas opiniões.

Pra que merda serve esse blog????
Essa época tá esquisita. As coisas simplesmente não andam. Nem se arrastam. Estão mais paradas do que nunca.


FUNERAL

A inspiração vem
em soluços secos.
Consigo me perder
sem esforço
nos pequenos ecos dos pensamentos.
O vazio é poético
quando estranhamos nosso próprio nome
e nos reconhecemos
metade
nas páginas do que lemos
metade
nas dores que não sentimos.
Nunca conseguimos
- e nunca conseguiremos -
entregar-nos por inteiro.
Vida bem vivida
é início de enterro.

9.19.2003

Sabe o que acontece. As coisas não podem sempre ser como deveriam ser. Se fossem, qual seria o parâmetro para a alegria?

9.17.2003

Ainda Cine Arte UFF - 35 anos

Vai ter também uma mostra de curtas importantes produzidos pelos alunos da UFF desde o surgimento do curso de cinema. Depois das sessões vão rolar uns debates com os diretores.

Vai ser maneiro tb.


PROGRAMAÇÃO

17 de Setembro, quarta-feira - 18h
Fora de Ordem - Direção de Jussara Queiroz - 20 min
Efêmera - Direção de Maja Vargas - 17 min
Cão Guia - Direção de Gustavo Acioli - 18 min
Era Araribóia um Astronauta? - Direção de Tetê Mattos - 27 min
Sociobiologia - Direção de Antônio Carrilho - 8 min
Colombina - Direção de Diana Iliescu - 5 min
Total de 95 min
Debate com mediação de Aída Marques

18 de Setembro, quinta-feira - 18h
Um Filme para Cinema - Direção de Luelane Corrêa - 15 min
Na Calada da Noite - Direção de Paulo Halm - 20 min
Útero - Direção Coletiva - 4 min
Metro Quadrado - Direção de Flavia Cândida - 17 min
Meninas - Direção de Paula Alves - 17 min
Oi Laura, Oi Luis! - Direção de Márcio Melges - 20 min
Total de 93 min
Debate com mediação de Tunico Amâncio

19 de Setembro, sexta-feira - 18h
Jornalismo e Independência - Direção de Nelson Pereira dos Santos - 11 min
Um C... Chamado Paixão - Direção de Renata Lemos e Marcia Calisman - 7 min
Geraldo Voador - Direção de Bruno Vianna - 11 min
Gaivotas - Direção de Cristian Borges - 10 min
O Grande Homem - Direção de Rafael Rodrigues - 15 min
Gosto que me Enrosco - Direção de Bruno Safadi - 17 min
Sol Alaranjado - Direção de Eduardo Valente - 18 min
Total de 91 min
Debate com mediação de Antonio Serra

20 de Setembro, sábado - 18h
Nichteroy em Foco - Direção Coletiva - 18 min
Eros - Direção de Eduardo Vaisman e Rosane Svartman - 6 min
Polêmica - Direção de André Luiz Sampaio - 22 min
Violurb - Direção de Cleumo Segond - 20 min
O Palhaço Xupeta - Direção de André Luiz Sampaio - 8 min
Bichos Urbanos - Direção de Karen Barros e João Mors Cabral - 20 min
Total de 94 min Debate com mediação de Hernani Heffner

21 de Setembro, domingo - 18h
Filmes de Direção Coletiva feitos em parceria com o Instituto Göethe, em Workshop ministrado por Christoph Janetzko, com coordenadoria de João Luiz Vieira, professor do curso de Cinema da UFF.
Agravo / Bahia / Dorestética / Helga / Jurujuba / Sob Pressão / Moleque /
Pão de açúcar / Primeiro Movimento / Gostosa
Total de 79 min
Debate com mediação de João Luis Vieira
Mostra 35 anos do Cine Arte UFF

Recomendo. Vários filmes fodões, do Bergman, Lars Von Trier, Truffaut, Nelson Pereira dos Santos, Tsai-ming Liang e vários outros muito fodas....

Recomento muito.



PROGRAMAÇÃO - 12 de setembro a 18 de outubro de 2003


SETEMBRO

12 sexta "Abertura Estréia para convidados "
O CAMINHO DAS NUVENS
De
Vicente Amorim
Com
Cláudia Abreu , Wagner Moura

13 sábado
O BANDIDO DA LUZ VERMELHA
Brasil, 1968
DeRogério Sganzerla
Com Paulo Villaça, Helena Ignez, Luiz Linhares, Sonia Braga
17h20 / 19h10 / 21h

14 domingo
QUEIMADA
Itália/França, 1969
DeGillo Pontecorvo
ComMarlon Brando, Renato Salvatori, Evaristo Márquez
16h40 / 18h50 / 21h

15 segunda
O CONFORMISTA
Il Conformista. Itália/França/Alemanha, 1970
De Bernardo Bertolucci
Com Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli, Dominique Sanda
15h40 / 21h

16 terça
SÃO BERNARDO
Brasil, 1971
De Leon Hirszman
Com Othon Bastos, Isabel Ribeiro, Vanda Lacerda
15h50 / 21h

17 quarta
GRITOS E SUSSURROS
Viskningar och rop. Suécia, 1972
De Ingmar Bergman
Com Harriet Andersson, Kari Sylwan, Ingrid Thulin, Liv Ullmann
15h50 / 21h

18 quinta
A COMILANÇA
La grande bouffe. França/Itália, 1973
De Marco Ferreri
Com Marcello Mastroianni, Michel Piccoli, Philippe Noiret, Ugo Tognazzi
15h30 / 21h

19 sexta
AS 1001 NOITES DE PASOLINI
Il Fiore delle mille e una notte. Itália/França, 1974
De Pier Paolo Pasolini
Com Ninetto Davoli, Franco Citti
15h30 / 21h

20 sábado
O PASSAGEIRO - PROFISSÃO REPÓRTER
Professione: repórter. Itália/França/Espanha, 1975
De Michelangelo Antonioni
Com Jack Nicholson, Maria Schneider
15h40 / 21h

21 domingo
CRIA CUERVOS
Cría cuervos. Espanha, 1976
De Carlos Saura
Com Geraldine Chaplin, Ana Torrent, Héctor Alterio
* VERSÃO ORIGINAL SEM LEGENDAS
15h50 / 21h

22 segunda
MAR DE ROSAS
Brasil, 1977
De Ana Carolina
Com Cristina Pereira, Myrian Muniz, Otávio Augusto, Norma Bengell
17h20 / 19h10 / 21h

23 terça
A LIRA DO DELÍRIO
Brasil, 1978
De Walter Lima Jr.
Com Anecy Rocha, Cláudio Marzo, Paulo César Peréio
17h / 19h / 21h

24 quarta
SEM ANESTESIA
Bez znieczulenia. Polônia/França, 1979
De Andrzej Wajda
Com Zbigniew Zapasiewicz, Ewa Dalkowska, Andrzej Seweryn
16h40 / 18h50 / 21h

25 quinta
A IDADE DA TERRA
Brasil, 1980
De Glauber Rocha
Com Tarcísio Meira, Geraldo Del Rey, Ana Maria Magalhães
17h40 / 20h40

26 sexta
A MULHER DO LADO
La femme d'à cote. França, 1981
De François Truffaut
Com Gerard Depardieu, Fanny Ardant
17h / 19h / 21h

27 sábado
FANNY E ALEXANDER
Fanny och Alexander. Suécia/França/Alemanha, 1982
De Ingmar Bergman
Com Pernilla Allwin, Bertil Guve, Ewa Fröling
17h / 20h20

28 domingo
VIDAS SEM RUMO
The outsiders. EUA, 1983
De Francis Ford Coppola
Com C. Thomas Howell, Matt Dillon, Tom Cruise
17h20 / 19h10 / 21h

29 segunda
MEMÓRIAS DO CÁRCERE
Brasil, 1984
De Nelson Pereira dos Santos
Com Carlos Vereza, Glória Pires, Nildo Parente, José Dumont
17h / 20h20

30 terça
VÁ E VEJA
Idi i smotri. URSS, 1985
De Elem Klimov
Com Aleksej Kravchenko, Olga Mironova
16h / 18h30 / 21h

OUTUBRO

1 quarta
MATADOR
Matador. Espanha, 1986
De Pedro Almodóvar
Com Assumpta Serna, Nacho Martinez, Antonio Banderas
16h40 / 18h50 / 21h

Dia 2 quinta
OS VIVOS E OS MORTOS
The dead. Inglaterra, 1987
De John Huston
Com Anjelica Huston, Donal McCann, Dan O'Herlihy
17h40 / 19h20 / 21h

Dia 3 sexta
ROMANCE
Brasil, 1988
De Sergio Bianchi
Com Hugo Della Santa, Imara Reis, Rodrigo Santiago, Isa Kopelman
17h20 / 19h10 / 21h

Dia 4 sábado
O COZINHEIRO, O LADRÃO, SUA MULHER E O AMANTE
The cook the thief his wife & her lover. Inglaterra/França/Holanda, 1989
De Peter Greenaway
Com Richard Bohringer, Michael Gambon, Helen Mirren, Alan Howard
16h20 / 18h40 / 21h

Dia 5 domingo
OS IMORAIS
The grifters. EUA,1990
De Stephen Frears
Com Anjelica Huston, John Cusack, Annette Bening
16h20 / 18h40 / 21h

Dia 6 segunda
GAROTOS DE PROGRAMA
My Own Private Idaho. EUA, 1991
De Gus Van Sant
Com River Phoenix, Keanu Reeves
17h / 19h / 21h

Dia 7 terça
CÃES DE ALUGUEL
Reservoir dogs. EUA,1992
De Quentin Tarantino
Com Harvey Keitel, Tim Roth, Steve Buscemi, Chris Penn, Quentin Tarantino
17h / 19h / 21h

Dia 8 quarta
SHORT CUTS - CENAS DA VIDA
Short cuts. EUA,1993
De Robert Altman
Com Andie MacDowell, Bruce Davison, Jack Lemmon, Tim Robins
17h / 20h20

Dia 9 quinta
VIVE L'AMOUR
Aiqing wansui. Taiwan,1994
De Tsai Ming-liang
Com Chen Chao-jung, Lee Kang-sheng, Yang Kuei-Mei
16h20 / 18h40 / 21h

Dia 10 sexta
O CICLISTA
Xich lo. Vietnã/França,1995
De Tran Anh Hung
Com Le Van Loc, Tony Leung, Tran Nu Yên-Khê
16h / 18h30 / 21h

Dia 11 sábado
ONDAS DO DESTINO
Breaking the waves. Dinamarca/Suécia/França/Holanda/Noruega, 1996
De Lars von Trier
Com Emily Watson, Stellan Skarsgärd, Katrin Cartidge, Jean-Marc Barr
17h40 / 20h40

Dia 12 domingo
A ESTRADA PERDIDA
Lost highway. EUA/França, 1997
De David Lynch
Com Bill Pullman, Patrícia Arquette, Balthazar Getty, Richard Blake, Richard Pryor
16h / 18h30 / 21h

Dia 13 segunda
CENTRAL DO BRASIL
Brasil/França,1988
De Walter Salles
Com Fernanda Montenegro, Vinícius de Oliveira, Marília Pêra
16h40 / 18h50 / 21h

Dia 14 terça
MAGNÓLIA
Magnolia. EUA,1999
De Paul Thomas Anderson
Com Tom Cruise, William H. Macy, Philip Seymour Hoffman, Jason Robards, Julianne Moore
17h / 20h20

Dia 15 quarta
EUREKA
Eureka. Japão, 2000
De Shinji Aoyama
Com Koji Yakusho, Aoi Miyazaki, Masaru Miyazaki
16h / 20h

Dia 16 quinta
E A SUA MÃE TAMBÉM
Y tu mamá también. México/EUA, 2001
De Alfonso Cuarón
Com Gael García Bernal, Maribel Verdú, Diego Luna
17h / 19h / 21h

Dia 17 sexta
ÔNIBUS 174
Brasil, 2002
De José Padilha
16h / 18h30 / 21h

Dia 18 sábado Encerramento
"Pré-estréia"
"NARRADORES DE JAVÉ"
De Eliane Caffé
Com José Dumont, Nelson Xavier, Matheus Nachtergaele, Rui Resende, Nelson Dantas, Gero Camilo
21h

9.14.2003

SE VOCÊ PUDER

Ele pensava que, certamente, nada ia fazer diferença. Tudo que tentasse fazer, certamente, não seria notado nem pela mosca que insistia em atrapalhá-lo, ao voar entre o alfinete e seu dedo. O zumbido já estava deixando-o louco.

A lista telefônica. Amarela e muito espessa. Tantas páginas para quê? Pensando bem, chegou à conclusão que podia contar nos dedos o número de vezes que já havia recorrido às suas linhas apertadas para alguma coisa. Pizzaria, dentista e um caso fracassado. Pegou o livro e, produzindo um barulho ensurdecedor dentro do seu minúsculo quarto, espremeu o inseto contra a superfície branca de sua escrivaninha.

Merda, achava que não ia mais precisar limpar. Abriu a garrafa de álcool, derramou uma quantidade que poderia facilmente limpar a mesa toda, passou o pano com uma obstinação estranha, até achar que a pequena mancha deixada pela mosca estava completamente sumida.

Agora sim! Retomou novamente o alfinete. Estava ansioso. Suava discretamente. Um suor que lhe incomodava, mas que não o interromperia. Observava a palma de sua mão. Agora o dedo. Era dividido em três partes, por riscos que ficavam na altura das articulações. Fez um pequeno furo na divisão superior, bem no centro. Saiu um pouco de sangue, mas tão pouco que não o satisfez. A dor, praticamente imperceptível. Introduziu de novo o alfinete, agora um pouco mais profundamente, e rodou, como para alargar a perfuração. O sangue escorria mais, e pingava quando chegava na altura do seu pulso, caindo sobre sua escrivaninha branca. Com a outra mão, ele limpava freneticamente as manchas vermelhas sobre a fórmica.

A felicidade - ou a tristeza, sentimentos indissociáveis em sua vida - era tão doentia que cansava.

SEM PACIÊNCIA

Não tenho tido muito paciência pra escrever nesse blog. Ainda mais que não tô conseguindo postar nenhuma foto nessa merda.

9.07.2003

Joguinhos - parte II

VIDA de MERDA
MERDA
deVIDA
DEvidaMENTE
viVIDA
à MERDA

e alguém se opõe?
PORRA!!!! POR QUE OS CDS????

Carlitos. Cinelandia. Charm. Sexy Rose Sex Shop. Odeon. Merda. Vidro quebrado.

Saldo negativo:

- The rise and the fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, David Bowie
- Velvet Underground and Nico, Velvet Underground
- Kid A, Radiohead
- Singles, The Smiths
- Caetano Veloso (1969), Caetano
- Gal Costa (1969), Gal Costa
- Condom Black, Otto
- Vespertine, Bjork
- As Cidades, Chico Buarque
- Sincerely Hot, Domenico+2
- High Fidelity, trilha do filme
- Green album, Weezer
- Varios singles, Belle and Sebastian
- Definitely Maybe, Oasis
- Luisa Mandou Um Beijo - demo, Luisa Mandou Um Beijo
- Los Hermanos, Los Hermanos
- Bloco do Eu Sozinho, Los Hermanos
- Ao Vivo, Joao Gilberto
- Voz e Violao, Joao Gilberto
- Revolver, Walter Franco
- Ou Não, Walter Franco
- White Blood Cells, White Stripes

e mais outros muitos que eu nao consigo me lembrar agora... (quem tiver algum palpite ou se lembrar de algum outro, use o link abaixo, por favor)

MERDA!!!!!

Agora, quantos vao ser realmente vendidos na Uruguaiana??

9.01.2003

PRA QUÊ UM BLOG?

Toda vez que eu leio blogs e vou escrever neste penso sobre isso. Pra quê? E, mais especificamente, pra quê este blog??

Respodam às perguntas no link logo abaixo, por favor.
EXISTIR PESA

Fernando Pessoa é foda pra caralho. E esse trecho de Tabacaria é muito bom. E não deixa de ser verdade - claro que não a única.


Tabacaria

"((...)
Meu coração é um balde despejado
Como os que invocam espíritos invocam espíritos
invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao
degredo
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje
só por não ser eu.
(...)"



Agora

Esse blog tá meio parado. Mas não sei, acho que tá começando a encher o saco. As coisas às vezes enchem o saco. Ou melhor, quase sempre. E as coisas mudam também, mas nem por isso deixam de encher o saco.

8.24.2003

MÚSICA E POEMA

Há músicas e poemas que são completos e dizem o que você pensa/sente. Por isso eu às vezes posto umas músicas e poemas aqui que não são meus. Porque eles parecem ler meu pensamento. E esse é um fenômeno que aconteceu quando eu escutei pela primeira vez - e todas as outras vezes também - Shine on You Crazy Diamonds, do Pink Floyd; Rock´n´roll Suicide, do David Bowie; O Vencedor, dos Los Hermanos e quando eu li o Poema Sujo do Ferreira Gular - que é, inclusive, de onde eu copiei o nome do blog. E, no caso das músicas, não é uma questão só da letra, mas também do som. São músicas que, além da letra muito foda, tem arranjos surpreendentes, que nasceram perfeitos para preencher as palavras que são cantadas.
"TOO OLD TO LOSE IT, TOO YOUNG TO CHOOSE IT"

Essa também é foda pra caralho.

Rock'n'Roll Suicide

Time takes a cigarette, puts it in your mouth
You pull on your finger, then another finger, then your cigarette
The wall-to-wall's calling, it lingers then you forget
You're a rock'n'roll suicide

You're too old to lose it, too young to choose it
And the clock waits so patiently on your song
You walk past the cafe but you don't eat when you've lived too long
You're a rock'n'roll suicide

Chev brakes are snarling as you stumble across the road
But the day breaks instead so you hurry home
Don't let the sun blast your shadow
Don't let the milk floats ride your mind
So naturally, religiously unkind

Oh no love! You're not alone
You're watching yourself but you're too unfair
You got your head all tangled up but if I could only make you care
Oh no love! you're not alone
No matter what or who you've been
No matter when or where you've seen
All the knives seem to lacerate your brain
I've had my share so I'll help you with the pain
You're not alone just turn on with me
You're not alone let's turn on and be
You're not alone gimme your hands
You're wonderful gimme your hands
You're wonderful gimme your hands

8.22.2003

MORTE - post circunstancial desenvolvido após uma longa conversa na frente da praia

Vocês já tiveram vontade de se matar pra ver quem se importaria de verdade?

Verdade é que, sim, é foda quando alguém morre. É estranho alguém, que pensava e vivia há pouco tempo, não existir mais. O fato dessa pessoa ter ocupado - de alguma maneira, por alguns instantes, em algum momento de algum dia - o seu pensamento, dela já ter estado conversando com você, não importa o que - se um simples "oi" ou uma longa conversa de horas - já transforma sua morte numa ausência estranhamente inexplicável. A morte é uma parada indecifrável. Esse ano morreram algumas pessoas com quem eu tive muito contato, outras com quem eu tive menos, e outras que estavam muito presentes na vida de amigos meus. E, em todos os casos, ela é difícil de se lidar. Tudo isso me fez pensar muito nesse assunto. E, respondendo à pergunta inicial, eu já pensei várias vezes "se eu morresse, acho que não faria tanta falta. Seria legal tentar ver se isso é verdade". É e não é. A partir do momento em que você existe, você já faz parte da vida de muita gente - que, obviamente, se tornaria diferente com a sua ausência, para algumas pessoas mais e outras menos. Mas também, é ilusão - e egocentrismo - achar que alguém iria carregar eternamente a sua morte pela vida afora - as pessoas vivem e não somente em função de uma pessoa.

Portanto, foda-se e não pensemos nisso. Até porque isso existe, independente do nosso pensamento.


Blogs

Essa coisa de ler blogs é meio viciante. Você lê um, vai no link. Lê o do link e vai no outro link. Quando você vê, leu muitos blogs. E, no final, fica com vontade de escrever no seu blog - que é o que estou fazendo agora, em vez de revisar o texto atrasado pro estágio.

Vida de merda!

8.21.2003

CRAZY DIAMOND

Essa música é muito foda... E a introdução?? Putaquiupariu!!! Já tava há um tempo sem escutá-la. Os tempos já foram melhores, definitivamente.

"Shine on you crazy diamond

Remember when you were young
You shone like the sun
Shine on you crazy diamond

Now there´s a look in your eyes
Like black holes in the sky
Shine on you crazy diamond

You were caught on the cross fire of childhood and stardom
blown on the steel breeze
Come on you target for faraway laughter
come on you stranger, you legend, you martyr
and shine!

You reached for the secret too soon
You cried for the moon
Shine on you crazy diamond

Threatened by shadows at night
and exposed in the light
Shine on you crazy diamond

Well you wore out your welcome with random precision
rode on the steel breeze
Come on you raver, you seer of visions
come on you painter, you piper, you prisoner
and shine!"

8.19.2003

RIM

E no silêncio
escrevo versos rasgados
pra te lembrar de que tudo
apesar do esforço dobrado
sempre chega ao fim.
Versos soltos
do que um dia já foi estridente
momentos estranhos
ensolarados e esgarçados
que do desgaste do papel
aparecem como gritos roucos
que pouco a pouco
tornam surdos
os cantos loucos que faziam para mim.
Mas a tristeza deve caber
dentro das horas acordadas
que mantenho guardadas
- desde anos remotos -
sem folha, sem nota e sem fotos
de toda uma vida
ruim.
E acordar
com o sol a sorrir
já parece copo cheio d'água
para quem sofre de rim.

CONHECER E DESCONHECER

É estranho, é escroto, mas é assim. São muitas as pessoas que você conhece durante a vida. E algumas, por mais forte que seja a sua relação com elas, invariavelmente vão se diluindo no tempo. Não é possível saber por quê. Mas parece que o tempo vai esmaecendo a sua imagem, os assuntos já não surgem com naturalidade, os interesses já parecem muito redundantes. Alguns acontecimentos podem enfraquecer ainda mais - e, na verdade, estes são a causa de tudo. A discordância torna-se barreira e você, de repente, percebe que já não tem mais tanta força para re-estabelecer os traços - porque este é um trabalho de esforço. As distâncias crescem tanto que você passa a desconhecer mais a pessoa do que conhecê-la. E, no final, as coisas acabam como nunca estiveram. E a culpa, se existe, nunca se sabe a quem atribuir.
Discurso


Mas eu tenho
todos os problemas
mal-resolvidos
E entendo que você
nunca me dê ouvidos
Sigo então
com minha pose de carro batido
batalha perdida
vida vazia
perdendo o sentido
Novas leituras para vocês!

Maiores instruções, nos links ao lado.

8.17.2003

Domingo


Chegava aos quarenta anos. Percebia que o tempo estava andando pra frente - ou pra trás - e ele não mudava de posição. A juventude um dia já havia sido muito mais interessante. Ela já havia sido infinita. Mas, agora, pensando bem, ele chegava à conclusão de que ela não havia durado nem um dia inteiro.

Das pessoas se espera muita coisa - ele pensava, entre baforadas do cigarro que segurava como segurava há vinte anos atrás. O ineditismo ainda existia? Não, certamente não. Pensava que sua vida foi sempre uma idéia pré-concebida. Imagem feita com cartão de crédito dentro dos cinemas mais sujos que freqüentou, dentro dos buracos mais escuros e barulhentos onde já pulou. Inédito, pra quem espera tudo, é ilusão que sai de página de livro e de muita droga na corrente sangüínea.

A vida é uma merda mesmo. Nostalgia é placebo de vida vazia. Mas toda vida é vazia, chegava ele à conclusão.

- Bom dia, amor. As crianças tão atrasadas pro colégio... Voce já pagou o telefone? Acho que a empregada tá falando demais... Que horas a gente vai passar na casa da mamãe?

Liga o som e espera ônibus passar. Passa no colégio dos filhos, posto de gasolina, trabalho. Almoça, corre com o horário, pega o salário e sai pra passear no domingo. Merda, merda, merda. Pensava nos filhos. Esperava sinceramente - ainda que pouco esperançoso - que eles não vivessem a ponto de descobrir a frustraçao.

Auto-piedade é uma merda.

8.16.2003

"No Pão de Açúcar
de cada dia
dai-nos Senhor
a poesia
de cada dia"

(Oswald de Andrade)
De novo

Estou de volta. Esses tempos de habilitação são meio complicados. É foda você pensar e planejar - o que remete ao outro post - e, por quase nada, ver sua vida atrasada por alguns meses. Po... uma merda. Tô tentando ajudar a galera da maneira que eu posso.

Mas, enfim, a vida na ECO. A cada seis meses, ela parece retornar a seis meses atrás. As mesmas situações, as mesmas conversas, as mesmas coisas de sempre. E é aquilo. Sempre bem previsível. Mas, apesar disso, ainda pode ser divertido. Basta entrar no espírito. Só que dessa vez ainda não rolou...



8.10.2003

PLANEJAMENTOS

Os planos, na imensa maioria das vezes, existem para não se concretizarem. Os planos têm uma função de ocupação. Enquanto você tem um plano, você tem futuro. Afinal, o plano sempre se resolve no futuro. Então o plano te garante o futuro. E, aos poucos, o futuro (se é que ele existe) vai se aproximando e você vê que seus planos não estavam lá, prontos, pra que você os conhecesse como fatos. Eles já são passado. Os planos eles só servem no presente, quando ainda eles não são nada e, você - lá no fundo - reconhece que nunca serão porra nenhuma. Planos foram feitos pra desmoronar. E, se eles não desmoronam, é porque eles nunca foram planos, mas sim vontades.
ODEIO JOGOS DE PALAVRAS

Odeio jogos de palavras, mas comecei a escrever uma merda qualquer, e acho que isso pode representar razoavelmente as coisas como são [estão]. Mesmo assim, foi mal pela incompetência, eu sei que tá uma merda...



Todo mundo junto
Junta todo mundo num mesmo mundo
O mundo se conjuga com o mundo de todo mundo
E é todo o mundo.
O mundo se des-junta
O mundo todo
é muito pouco
E pouca gente
pro mundo todo
Todo?
Tudo muda.
Essa aqui acho que condiz com esse momento de eu e eu mesmo.

Egocêntrico

Ausência de pensamentos.
Páre e olhe pra dentro
Sinta o vento
Esqueça o tormento.
E se aos poucos você for vendo
que tudo que você achou
um dia ter criado
desmoronou
Seja precipitado
perca o controle.
Tristeza nenhuma acolhe
o egoísmo do seu poema.
Não saiba da felicidade alheia
que a saudade presente nos dois lados
esteja mais firme do que a lua cheia
e a dor seja tão grande quanto um edema.
Enxugue com cuidado
o suor acumulado
e não divida a grandeza
contida no seu lamento.
DESCANSO

Depois de uma semana altamente ocupada por diversas coisas, que não me deixaram respirar nada, além de alguns minutos de fumaça, acho que agora, a calmaria pode se re-estabelecer. Num belo e cinza dia de chuva - os dias frios e cinzentos são muito fodas -, posso respirar em paz, o ar gelado que entra nessa janela. Também tem o dia dos pais, que faz tudo ficar um pouco mais calmo e lento. Isso porque meus pais estão viajando e meu irmão saiu. Então, depois de uma noite de muita Kovac, Marlboros e vozes conversando alto, eu, a janela, o silêncio e o computador estamos numa mesma sintonia. A de não fazer absolutamente nada. E também não há carros passando, ônibus fazendo barulhos de freios e motor, não tem gente gritando. E a chuva tá mais silenciosa do que meinha respiração. E a fumaça, daqui a pouco volta à ativa. Então, [quase] tudo perfeito. Até que enfim.

8.06.2003

DISTÚRBIOS

Falta de sono provoca distúrbios. Esse é o mais atual:

Daqui pra frente

Do bar
Dos amigos
Da cachaça da orgia
Dos amores
Das mulheres
Dos beijos das trepadas
Do conhecimento
com tanto conseguido
por nada esquecido
Perfiladas glórias
Estranhas alegrias
Melancolias
Dos choros dos soluços
Das dores escondidas
Das pessoas perdidas
- longes ou esquecidas -
De tudo que te move
Do início ao fim
do dia

Nem o cheiro
Nem o gosto
Nem o rosto
Sobra.

Apodrece e se corrompe
Acaba sempre
Nostalgia.

8.05.2003

BACK...(beque?)

Depois de algum tempo ausente, esperando manifestaçoes de leitores, volto a escrever aqui.

Mas hoje eu to sem tempo pra nada. Entao, fica pra proxima um post mais elaborado. Tenho que refilmar o desastre, fazer prova de frances, dar aula (pfff....), fazer texto pra estagio e ainda tomar esporro de nego zen que nao borbulha faz tempo...

Eh... to precisando de Roberto. Alguem?

8.01.2003

DO CHOPP

Pra que serve o chopp? Pra ficar bêbado? Não é. Certamente não. Quem quer ficar bêbado, bebe cerveja que é mais barato. Então, pra que serve?

O chopp é uma coisa única. O gosto pode não ser tão bom assim - alguns gostam mais, outros menos -, mas, dependendo do momento, ele é a melhor parada do mundo. Mas a função do chopp, na minha opinião, é a de iniciar conversas de amigos que vão durar por horas. Em certos dias, você tá na pilha de sair, mas não quer ir pra um shpw, nem pra uma boate, nem pra um luau, nem pra uma festinha. Você quer sentar pra tomar um chopp com os amigos. E essa é uma atividade com suas características próprias. As pessoas sentam no bar, pedem os seus respectivos chopps e começam a conversar. Todos os assuntos vão passando pela mesa, desde os mais normais (faculdade, mulher - no caso dos homens -, futebol, os acontecimentos recentes, música, filmes...), passando pelos mais individuais (depende da ocasião), até chegar aos mais metafísicos (religião, filosofia, existencialismo, busca de respostas da humanidade - Plebeu!-). Todos os temas sempre acompanhados de novos chopps. Quando as pessoas se levantam, dificilmente é porque o assunto acabou, mas quase sempre porque o dinheiro não comporta mais nenhum chopp.

É essencial ao chopp: pessoas maneiras pra conversar, um bar agradável (pode ser até um pé sujo, mas agradável) que não seja nem muito cheio nem deserto, temperatura baixa dentro da tulipa e aqueles porta-copos de papel, que ficam molhados e, depois do terceiro/quarto chopp, todo mundo rasga. E muito assunto. Mas isso surge se o primeiro requisito estiver bem preenchido.
LOS HERMANOS

O show foi foda. Eles começaram tocando O Vencedor, do Ventura. Na minha opinião, uma das melhores músicas do último disco. Olha uma pedaço da letra:

"Olha lá
Quem acha que perder
é ser menor na vida
Olha lá
Quem sempre quer vitória
perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais
ser um vencedor
Levo a vida devagar
pra não faltar o amor"


Começaram muito bem. O show foi comprido e teve muitas músicas, principalmente do Bloco do Eu Sozinho e do Ventura. Algumas do primeiro disco, umas três. Mas, pra mim, as melhores foram Conversa de Botas Batidas, Sentimental, O Velho e o Moço, Cara Estranho, Samba a Dois , De Onde Vem a Calma e O Vencedor. Não, o show todo foi muito foda, sem exceções.
À PREGUIÇA

"Esse princípio traz uma certa inclinação pela fatalidade. A preguiça é uma estratégia fatal, e a fatalidade é uma estratégia da preguiça. É dela que tiro uma visão simultaneamente extremista e preguiçosa do mundo. Não mudarei, qualquer que seja o curso dos acontecimentos. Detesto a atividade agitada dos meus concidadãos, a iniciativa, a responsabilidade social, a ambição, a concorrência. São valores exógenos, urbanos, performáticos, pretensiosos. São qualidades industriais. A preguiça, quanto a ela, é uma energia natural." (Jean Baudrillard, in Cool Memories II)

Não sou muito de ter preguiça. Geralmente gosto de fazer muitas coisas e ficar parado por muito tempo, na maioria das vezes, me incomoda. Mas, tem certas épocas em que a gente sente saudade de fazer porra nenhuma, pensar em nada e sentir as horas passando. Pois é. A preguiça é muito boa.