7.04.2012

Este blog existe desde agosto de 2003. 2003! Quanto tempo não é isso. Ele vai completar nove anos, nesse tempo aprendeu a caminhar e a falar, imaginou muitas coisas, fez grandes amigos, viveu seus amores, e agora estava em repouso, pronunciado seus pensamentos muito raramente, descansando dos dias intensos da sua juventude. Em nove anos, toda uma vida inteira. 

A partir daqui, alguns caminhos possíveis. Mas, ao reencontra-lo (o blog), percebi que ele ainda quer seguir falando -- ou melhor, tentando falar -- dando vazão a essa gagueira que o animou por tanto tempo. 

Então, é isso. Às palavras voltamos! Talvez, com isso, as certezas que se instalaram possam ser desfeitas enquanto há tempo.


5.31.2012

I wanna be old, and have a birthday party full of colorful balloons and loved people around. The party will not be organized by me, though.


4.26.2012

memory and the important things

It was a Thursday, maybe. Or maybe it was a Wednesday.
It was a nice evening, and I had been at university the whole day, drowning in the huge amount of classes I was taking. Ot perhaps I had just been home, cooking, or wasting some time on the internet. No, I think I was studying, or drinking coffee and smoking a cigarette. Or maybe I was just looking outside the balcony, absorbed in the chilly air of the beginning of December. Or late November.

But that's not quite important.

We would meet at 6pm, by the bridge. Of course I was late, I was always late. Maybe 10 minutes late, but I felt so embarrassed that it could as well have been a whole hour. I didn't know you so well, as you didn't know me very well either. But we had a date -- which was not a "date" date, it was just two persons going out to listen to some potentially nice music in a city where we both felt a bit distant to our daily musical tastes. It was just everything alien. But that was also the important part. That was what made us be there together at that moment. That was exactly what made our tastes and our needs to go to a bar and listen to just any music so important to the extent that we would actually go there together, even though we didn't know each other.

And then, well, it was a little bit past 6pm. I got off the train station in a hurry, because I knew I was late and that you would be there, waiting. And we didn't know each other well, and I was always late, and, then, I thought I would say "sorry" and pretend I was not embarrassed for being late, because that would be very lame. I rushed and there were so many people packing those narrow sidewalks that the very short distance between the station and the spot where you would be waiting became huge.

But, again, that's also not so important.

You must remember well. There was the station, and then a big crossing, with traffic lights. There was a strange fluorescent-white-light-lit book store by the corner. Usually, lots of people would be there waiting to cross. Specially if it was past 6pm, when the youngsters are going out to have fun, get drunk, sing at the karaoke, or indulge in some bad "all you can eat" sort of restaurant. (I would also do that, not getting drunk or singing at the karaoke though).
So, it was that crossing.
There was a bridge, with a narrow sidewalk. There would a Starbucks right after the bridge. And there you would be waiting. Or maybe you would be waiting on the next crossing, before the entrance of the arcade. No, you were waiting by the bridge, in front of the Starbucks.

Still, that's of little relevance here.

The point is that, while I walked, or maybe while I crossed the bridge -- or the traffic lights --; while I approached you, still from far away, I saw you were standing there. You were wearing that grey dress, which, by now, you find too worn out and would probably not wear in such an occasion, were it to take place today. You were there, standing straight, looking ahead, as if drifting in your thoughts. You had your backpack on the floor, in between your legs, and you were leaning against the wall. Maybe you were not leaning against nothing, just standing in the middle of the sidewalk. I'm not so sure. But as I approached you, you slowly turned your head to my direction, waved discreetly that quick-paced wave you sometimes do, and smiled. You caused an intense friendly, loving, almost nestling, feeling in me. That was very strange for me, to feel that way while I was so worried about hurrying without running, while I pretended I was not too embarrassed, but at the same time feeling sorry I was late. That was a very off-rationality sort of thing taking over, undermining my all too rational planned reactions. That was very unexpected, and it made me confused for the one minute (or maybe less, or a bit more) that I took to actually get to you and say "hello, sorry I'm late!". That was pleasantly and fulfillingly good. And, at that moment, I started loving you. Even though I didn't realize, at that moment I foresaw - in a glimpse - that I was, in a way, seeing a very unforeseeable future, right in front of me. And that made me very happy, just the way I am now.



é tanta memória.

4.16.2012

É bom redescobrir o lado de dentro das coisas. Ele está cheio de letras, palavras e sons.
Tarde de segunda-feira. No ar molhado de chuva sob o céu cinzento - é fim de verão onde o verão nunca acaba - o sol amarela as coisas, que me cercam até me engolir.
O mundo, grande feito um planeta inteiro, transborda da minha memória enquanto deixo escapulir os minutos entre as letras do meu teclado.
Abro um guarda-chuva e me deixo banhar pelo sol que esquenta o meu quarto.

6.01.2011

the fog and the heavy humid air of a summer day in Hong Kong
or in Kyoto
soaking up my bones
till they melt

i walk down my street, dreaming tropical sceneries
far away from my footsteps

10.08.2010


O mundo é tão grande e tudo é tão distante. E as saudades penetram em qualquer póro que fica aberto, exposto ao ar. O tempo nos ensina de algum modo estranho, torto, a ocupar muitos espaços.

Vou deixando pra trás tantas coisas, umas atrás das outras. Transfiro meu corpo de um lado ao outro, achando que deixei algo que deve ser recuperado. Mas, às vezes, a evidência do fracasso é estarrecedora.

Saudades saudades saudades. Aquilo que permanece.

9.06.2010

Voltando ao Rio

A cidade muda de tamanho, expande seus espaços e respira mais profundo. Ela não pulsa (isso é uma mentira), mas descansa em plácida e absorta contemplação. Seu ruído noturno alcança clareza de melodia calma, que se mescla com os barulhos dos carros passando. Ela se elogia, tímida, convicta do seu lugar. Minha casa me dá uma alegria tranquila, felicidade de todo dia, dessa maneira mesmo, nunca se reconhecendo completa, olhando fixo nas brechas.
A cidade, casa, essa lacuna imensa e noturna, que se refestela da ausência e finge completude a cada pôr do sol; essa que me faz sentir pequeno e que me deixa grande, cheio de satisfação.

8.26.2010

Cheguei.

Aqui o sol é forte, os espaços são amplos, as pessoas ruidosas e tudo é bastante pronunciado. Encosta-se e derrama-se: os limites estão bem do lado de fora. Aqui tenho amigos, passado longo, afetos profundos e confortáveis como uma poltrona funda, café na varanda, bate-papo sem fim.

Cheguei em casa. Foram menos que dois anos, mais do que um ano, uma distância fenomenal e um tempo que pareceu longuíssimo. Ausência e presença intensas, que ganharam outros contornos a partir disso tudo. Agora, já não acredito mais nessa fixidez toda.

Percebi que, inevitavelmente, fui forçado a viver com saudade. Que presença vai sempre requerer a ausência. Sempre. Sempre. Sempre.

"Voltamos", mas não se sabe ainda muito bem para onde.

8.08.2010

Caminhando em passados futuros: como conceber aquilo que aos poucos se torna reminiscencia? Ao menos, permanece, evadindo aos poucos e tornando-se substancia.

Nunca mais vou. Mas, como isso eh o elementar, a ideia eh tornar presente o passado sempre que se possa. (Que, de fato, seja sempre)

Piso, entao, em eternos presentes. Ha que se exercitar, ao ponto de se esquecer.

7.20.2010

Desfolhando os dias, recalcando os minutos dentro de latas de cha, caixas de suco, tragadas de cigarro.

Hoje, como ontem, segue sempre num amanha tao comprido que se perdeu de vista desde que nasceu. Segue, segue, segue - e do que mais se trata? Mas ja isso nao lhe importa.

Espera, preenche e desfolha. Nem na pagina do livro e nem na letra do teclado. O ceticismo lhe corrompe a tranquilidade.

7.19.2010

Entre a inexatidao de ser etico e a impossibilidade de imaginar adiante. Certeza de logo estar em casa.
Resumo dos ultimos dias.

7.12.2010

Ah, como se tudo dependesse de mim. Ha que repetir, para nao se esquecer: "O mundo anda numa duracao tao exterior a mim quanto cada um que o habita". E se eu ando ou fico parado, que lhe importa? Sigo uma intuicao desse meu corpo que caminha conforme lhe dao espacos - ou muitas vezes, apenas as pequenas brechas, sugestoes de possibilidade.

Se tudo eh possibilidade de um corpo, prefiro que esteja esmorecido onde seja a sua casa.

7.01.2010

Des paysages que flottent
dans ma tête et ailleurs

浮かんで進んでる

Necesitaría un estornudo de buena voluntad
O quizás tres o cuatro

Même marchant
On s'arrète a chaque minute

景色を鑑賞最中
何も残ってないうちに

Não se termina jamais de escrever

6.25.2010

síndrome de farnese

colecionando souvenirs
sempre
depois, quem sabe
distribuindo para outros
assim se faz uma colagem

diz-se souvenir àquilo que se encontra pulverizado
em algum lugar inenarrável
frustração da incapacidade pura
(também se pode dizer tempo)
a beleza do fracasso de seguir em frente

6.21.2010

José Saramago morreu. Meu pai me contou.
Copa do mundo acontece, do outro lado do globo - aqui, as pessoas dormem, comem e trabalham.

Eu fico acordado toda a noite, esperando o tempo passar dentro da minha cabeça. Do lado de fora, ele consome rápido qualquer vestígio de acontecimento. A vida, de repente, parece caber embrulhada em um papel de bala ou uma pontinha de cigarro.
Meus pensamentos têm tomado o formato de um mapa mundi esquisito, que se estica e se encolhe na mesma velocidade da minha respiração. E, cada vez mais, penso que não preciso do mapa nem do mundo: vontade mesmo é de estar em casa sem ter nada o que pensar. Mas essa condição já não mais é válida, e a escolha já se esvaneceu com os quilômetros que o meu corpo percorreu. Resta-me esperar. Quisera eu não ter feito nada jamais: a angústia talvez fosse de outra estatura. Agora, ela é cheia de espaços recônditos, ensolarada por fora (e por dentro), mas com esses intervalos que me fazem escrever sem saber aonde ir. Melhor então seguir escrevendo. Minhas saudades já cruzaram a fronteira, e a cada vez elas ganham mais personalidade. Quase existem fora de mim. Não quero isso, nem aquilo outro. Não quero abraçar o mundo com a perna, quero apenas a perna como segurança e, quem sabe, às vezes, o mundo como possibilidade. O movimento em si me parece muito mesquinho: nada de encerrar coisa alguma.

De noite. A sensação da espera me acalenta mas também me corrói levemente a calma que me acompanhava até alguns dias atrás. Mas ela sempre retorna ao raiar do dia. Não que seja nada (não se trata de achar que os modelos, horóscopos e melodramas hollywoodianos façam qualquer sentido), mas simplesmente uma agudez do tempo que me deixa tão confuso quanto mais em movimento. É neste momento que as fantasias se embolam, e uma varanda ensolarada, uma planta num vaso, uma rede balançando e um céu azul com algumas nuvens perto do mar parece tão real quanto inalcançável - porque está em algum lugar do meu passado que eu imagino ter vivido. Imagino sorrisos dos amigos, balançar da cabeça da namorada, almoço com família e discussão de irmãos.

Agora já é de manhã, e é preciso descansar. A imaginação flutua sempre: já tomou o avião e já chegou em casa, mais de mil vezes. E isso é que me faz despertar.

6.11.2010

Eu tenho muitos amigos. Muitos. E eles me formaram e me permitem uma existência compartilhada, relaxada, prazerosa, justificada e completa. Diria: eles me permitem uma existência para além do existir. Desses muitos amigos, há um casal que conheço há uns 8 anos. Quase todo esse tempo eles foram um casal. Eles não estão entre os amigos mais próximos, por contingências dessa vida. Mas por eles eu tenho uma profunda admiração e, definitivamente, eles contribuem para o que eu tenho de otimismo em relação às coisas, de forma muito mais marcante do que eles devem imaginar. Eles são aquilo que talvez represente meu apreço pelos meus amigos, não sei por qual motivo. E eles vão ter um filho.

Essa notícia me pôs em pensamentos compridos, largos e esticados. De um dia para o outro, me empurrou para uma espessura do tempo que eu havia deixado de habitar há algum tempo. Colocou-me em movimento complexo e descontínuo. Deu-me saudades agudas. Entendi, em alguns segundos - ou, talvez, uma noite inteira pensando, todo o tempo ruminando esse entender - que sei por que esse casal de amigos me deixa tão satisfeito e feliz só de vê-los, por que me refletem o meu próprio apreço pela amizade. Pode ser mesmo só assim de longe, acompanhando os movimentos, gestos e sorrisos: porque eles são uma revelação boa e saudável do tempo; temporalidade essa que nos é tão inescapável quanto essencial, afinal, de fato, somos por ela, nela e a partir dela. Mas que, no entanto, podemos mexer, esticar, e montar formas distintas e fazê-la grudar ao que quer que seja. Podemos escolher narrar, ouvir, observar ou experimentar. Sendo que todas estas quatro maneiras de nos relacionar com o tempo são essenciais e quase obrigatórias. E, por algum motivo que ainda não entendi, são esses dois os que, até hoje, me fazem entender isso.

Sortuda vai ser essa criança!! Parabéns e beijos gordos!!!

6.04.2010

O sol queima a nuca, que se expõe ao ar por entre os fios do cabelo. Descendo a ladeira sobre a bicicleta, não pressiona os freios, deixando o ar quase cortar a pele de seu rosto. Ele sente o sol, alegra-se com o suor que aparece sutil nas suas costas. Quisera poder seguir reto, sem haver de parar no próximo sinal.

Sob a temperatura quente que vai se acumulando no ar, seu corpo se coloca num estado estranho de intermédio: sendo matéria incontestável, consegue se difundir em memórias confusas, mas sempre ternas. Percorre, ao mesmo tempo, espaços tão distintos quanto distantes. Meio mundo se põe em movimento no seu percurso sob o verão que anuncia sua chegada.

5.21.2010

As I was moving ahead
Enquanto seguia em frente
進んでたら
Mientras seguía


Se eu fosse Mekas, teria visto lampejos de beleza.
E vi.


Mas também parado.
しかし、不動でも。
But also still.
Pero también parado.